Israel Gonçalves de Souza foi condenado a 48 anos e 8 meses de prisão por estuprar, roubar e esfaquear 18 vezes a jovem Vitória Raquel Celeste, em Santos, na Baixada Santista. O julgamento por júri popular ocorreu na quarta-feira (23), no Fórum. O crime aconteceu em maio de 2021 e teve desfecho trágico: em 2024, a vítima tirou a própria vida.
Na madrugada em que o crime aconteceu, Vitória, então com 23 anos, havia acabado de sair de um estabelecimento comercial no bairro Rádio Clube, Zona Noroeste da cidade. Ela foi abordada por dois homens, violentamente agredida e abandonada desacordada dentro de um pneu de caminhão. Sobreviveu ao ataque brutal e ficou internada por 12 dias.
Durante o julgamento, o comportamento do criminoso chocou familiares da vítima e presentes no plenário. Segundo relatos, ele ameaçou e ofendeu o pai de Vitória com gestos – o que levou à sua retirada do local. A decisão do Tribunal da Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), divulgada nesta quinta-feira (24), determinou que Israel cumpra a pena em regime fechado, além do pagamento de 100 dias-multa.
Tribunal do Júri optou pela condenação do criminoso
A condenação foi celebrada pelo advogado da família, Mário Badures, que considera o crime de ‘surreal bestialidade’ e ‘violência atroz’. “Porém ela sobreviveu, lutou pela vida e desde o início conseguiu apontar, com segurança, o réu Israel como um dos autores, em que pese o outro não ter sido identificado”, afirmou em nota.
Mesmo tendo sobrevivido ao ataque, Vitória jamais se recuperou totalmente e, segundo Badures, o trauma causado pelo crime teve ligação direta com sua morte. “Como se sabe toda essa violência descomunal deixam marcas internas que diariamente impactam na saúde mental por conta do stress pós-traumático”, disse o advogado.
Por fim, Badures acredita que, entre indas e vindas do processo, a Justiça foi feita. “Fez-se, em memória da vítima e em prol da sociedade ordeira, Justiça, aliviando a exemplar condenação o fardo e o peso do luto que acomete seus familiares e amigos”, finalizou. O VTV News tentou contato com a defesa de Israel, mas não obteve retorno até o momento.
Entenda o crime
Segundo o boletim de ocorrência (BO), ao qual a Reportagem teve acesso, a vítima voltava para casa após tentar comprar um salgado. Ela havia se mudado recentemente e ainda não tinha eletrodomésticos necessários – como sofá, armário da cozinha, fogão e geladeira. Ela e a companheira tentaram pedir comida por aplicativo, mas não conseguiram.
A pé e sozinha, por volta de 1h30, foi surpreendida por dois homens próximos a um colégio, que jogaram areia molhada em seus olhos e a doparam com um pano. Ela conta que, mesmo rendida, os agressores ignoraram seus pedidos para que apenas os pertences fossem levados. Um deles a enforcou enquanto o outro filmava a cena.
Deitada sobre um colchão, Vitória viu uma faca e tentou se defender, mas foi dopada novamente. Em seguida, um dos suspeitos mandou o outro sair para comprar drogas, e ela perdeu a consciência. Vitória acordou encaixada na roda de um caminhão, sem a parte debaixo da roupa, ensanguentada e desorientada. Tentou buscar o shorts, mas desmaiou novamente.
Um tempo depois, acordou com o latido de um cachorro e conseguiu se arrastar até a calçada. Foi socorrida por uma mulher que trabalhava em uma banca de jornal e achou que ela estivesse morta. Ela foi levada pelo Serviço Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao hospital, onde descobriu ter levado 18 facadas, uma delas na garganta, e passou por cirurgia.