A investigação que levou à prisão de Ivan Alexandre Oliveira Brito, conhecido como Guerreiro, em Piracicaba, revelou uma estrutura financeira que, segundo o Ministério Público, usava empresas e contas de terceiros para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas. O homem acabou preso durante a Operação Terminais, deflagrada na quinta-feira (1º).
De acordo com o relatório da investigação, os investigadores chegaram à estrutura criminosa após extrair e analisar dados telemáticos de um celular. A partir dessas informações, o Ministério Público identificou indícios de uma organização voltada à comercialização de drogas em larga escala e à movimentação de dinheiro de origem ilícita.
Agência de veículos entrou no radar da investigação
Segundo o MP, Guerreiro utilizava uma agência de veículos para receber valores e, posteriormente, movimentá-los entre outras empresas.
A investigação aponta ainda que o grupo mantinha diferentes empresas para ocultar patrimônio e lavar dinheiro. Além disso, os investigadores identificaram fornecedores que, segundo o relatório, abasteciam o esquema com drogas destinadas à distribuição em Piracicaba.
Dessa forma, a estrutura investigada não se limitava à venda de entorpecentes. Conforme o Ministério Público, ela também envolvia uma cadeia financeira para dificultar o rastreamento dos valores obtidos com as atividades criminosas.
Relembre o caso:
Cheques ajudavam a adiar movimentação do dinheiro
Durante a operação, as equipes apreenderam dez cheques que somavam R$ 174,5 mil, além de aproximadamente R$ 35 mil em dinheiro. Os valores foram encontrados em três endereços relacionados à investigação.
O coronel da Polícia Militar Cleotheos Sabino de Souza Filho explicou ao g1 que o uso dos cheques poderia facilitar a ocultação da origem das transações. Segundo ele, esse meio de pagamento permite que o documento seja depositado posteriormente, sem exigir uma movimentação bancária imediata.
Além dos cheques, os policiais apreenderam três celulares, um aparelho DVR e um HD. O Gaeco recolheu os equipamentos e deve analisar o conteúdo para buscar novos elementos sobre a movimentação financeira e os contatos do grupo.
Investigação começou após prisão por tráfico
A apuração também tem relação com uma prisão anterior de Guerreiro. Segundo informações da investigação, ele já havia sido preso por tráfico de drogas em 2023. A partir daquele período, os investigadores passaram a acompanhar os endereços frequentados pelo suspeito e a movimentação relacionada ao grupo.
Durante o trabalho, a polícia identificou diferentes empresas e fornecedores ligados, segundo o MP, à estrutura investigada. O objetivo da operação é justamente interromper a cadeia financeira e logística utilizada pelo grupo.
Suspeito tentou fugir durante cumprimento do mandado
Na manhã de quinta-feira (1º), as equipes localizaram Guerreiro em uma chácara na Estrada João Berto, no Jardim Estoril.
Ao perceber a chegada dos policiais, o investigado tentou fugir pelos fundos do imóvel. Segundo a Polícia Militar, ele também tentou descartar um celular durante a fuga. Os agentes conseguiram alcançá-lo antes que deixasse o local e recuperaram o aparelho.
A operação cumpriu dois mandados de prisão e cinco de busca e apreensão em Piracicaba. Um segundo alvo de prisão ainda não havia sido localizado no momento da divulgação das informações. As diligências também chegaram a Salvador, na Bahia.
MP apura possível ligação com facção criminosa
Além do tráfico e da lavagem de dinheiro, o Ministério Público investiga uma possível ligação de Guerreiro com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O relatório técnico cita elementos que podem indicar essa relação. No entanto, o próprio documento trata o vínculo como ponto ainda em investigação.
A operação reuniu o Gaeco e o Comando de Policiamento do Interior (CPI-9). Ao todo, oito equipes do Baep participaram da ação, com 32 policiais militares mobilizados.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer toda a estrutura financeira e logística do grupo.




