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Justiça conclui depoimentos de acusação no caso da morte em rope jump

Dezesseis testemunhas foram ouvidas em três sessões; próxima etapa terá depoimentos de 16 testemunhas de defesa antes dos interrogatórios dos quatro réus
audiência Maria Eduarda: A esquerda, cena ao ar livre com duas pessoas fazendo rope jump a partir de uma plataforma no alto, com mata e campo ao fundo; à direita, retrato de Maria Eduarda.

A Justiça concluiu nesta quinta-feira (24) a primeira etapa de depoimentos do processo que investiga a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump, em junho deste ano. Ao todo, 16 testemunhas de acusação prestaram depoimento em três sessões. Agora, o processo segue para a fase de testemunhas da defesa.

Defesa terá 16 testemunhas

Na próxima etapa, a defesa apresentará 15 testemunhas. Além disso, o juiz responsável pelo processo indicou uma testemunha para prestar depoimento. A Justiça ainda não divulgou a data para o início dessa fase.

A primeira sessão de depoimentos ocorreu em 17 de setembro. Em seguida, a segunda audiência aconteceu na quarta-feira (23), enquanto a terceira encerrou a etapa de acusação nesta quinta-feira (24).

Depois disso, a Justiça ouvirá os quatro réus. No entanto, o tribunal ainda não confirmou quando os interrogatórios ocorrerão.

Quatro pessoas respondem pelo caso

Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves respondem à ação penal. Os quatro permanecem presos preventivamente.

Segundo o Ministério Público, os três primeiros participaram diretamente da execução do salto que terminou com a morte de Maria Eduarda. Já Evelyne teria atuado na organização da atividade.

A acusação atribui aos quatro o crime de homicídio com dolo eventual qualificado. Além disso, o Ministério Público acusa Evelyne de fraude processual.

No caso de Luis Felipe, Maicon e Vitor, a denúncia aponta homicídio com dolo eventual qualificado por motivo torpe e por recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Por outro lado, Evelyne responde por homicídio com dolo eventual qualificado por omissão imprópria e também por fraude processual.

O dolo eventual ocorre quando a pessoa não pretende diretamente provocar uma morte, mas reconhece a possibilidade de o resultado acontecer e, ainda assim, assume esse risco.

Relembre o caso:

Ministério Público aponta falhas na atividade

De acordo com o Ministério Público, os responsáveis pelo salto conheciam os riscos da atividade, mas não adotaram medidas de segurança consideradas necessárias pela acusação.

Entre os pontos apresentados pelo MP estão a falta de conferência da conexão da corda de segurança e a ausência de uma segunda verificação dos equipamentos antes do lançamento.

Além disso, o Ministério Público afirma que o grupo não mantinha uma divisão clara de funções. A denúncia também sustenta que os envolvidos exploravam comercialmente a atividade sem cumprir as exigências legais aplicáveis.

Ainda segundo o MP, os responsáveis teriam priorizado interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais em vez dos procedimentos de segurança.

Essas informações constam na denúncia apresentada pelo Ministério Público. Portanto, as alegações ainda fazem parte do processo e serão analisadas pela Justiça durante a ação penal.

Entenda o caso

Maria Eduarda morreu em 13 de junho de 2026, depois que o grupo a lançou de uma ponte durante uma atividade de rope jump. Posteriormente, imagens registraram o momento do salto e a reação de pessoas que estavam no local.

O rope jump utiliza cordas estáticas, sem elasticidade. Durante a atividade, a pessoa realiza uma queda e, depois, passa a se movimentar como um pêndulo.

Por outro lado, o bungee jump utiliza uma corda elástica. Nesse caso, a elasticidade do equipamento provoca o retorno do participante após a queda.

O que acontece agora no processo

Com o fim dos depoimentos das testemunhas de acusação, a Justiça inicia uma nova etapa. Primeiro, os 16 depoimentos ligados à defesa devem ocorrer. Depois, o juiz deverá interrogar os quatro réus.

Assim, o processo ainda terá novas fases antes de uma eventual decisão judicial. Até o momento, a Justiça não informou as datas das próximas audiências.

A reportagem acompanha o caso e atualizará as informações conforme a Justiça confirmar novas datas ou decisões relacionadas ao processo.

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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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