A Justiça manteve a prisão preventiva dos cinco acusados de envolvimento no racha de charretes que resultou na morte da ciclista Thalita Danielle Hoshino, de 38 anos, em Itanhaém, no litoral paulista. A decisão foi proferida durante audiência de instrução realizada nesta segunda-feira (23). Dois dos réus seguem foragidos.
Os pedidos de liberdade provisória apresentados pelas defesas foram negados. A juíza Danielle Camara Takahashi entendeu que permanecem válidos os fundamentos que justificaram as prisões preventivas. Segundo a magistrada, os elementos colhidos ao longo do processo reforçam a necessidade da custódia cautelar.
Respondem ao processo Rudney Gomes Rodrigues, Fabiano Helarico Ribeiro, Salvador Marcelo Gozza, Karina Santos Ribeiro e Eder Manoel Bimbati da Silva. A audiência ocorreu no Fórum de Peruíbe e, de acordo com o Tribunal de Justiça (TJ-SP), a audiência continuará em 27 de março para mais oitivas e interrogatório dos réus.
Decisão destaca gravidade
Na decisão, a magistrada ressaltou a “gravidade concreta” das condutas atribuídas aos acusados. Para a juíza, o grupo teria assumido o risco de provocar morte ao participar da corrida clandestina na faixa de areia.
“A realização coordenada de corridas clandestinas de cavalos em alta velocidade, utilizando equipamentos que propositadamente reduzem a visibilidade do condutor (Surke) e veículos batedores em comboio, em uma faixa de areia destinada ao lazer público, constitui comportamento de altíssima periculosidade. Tal cenário revela que os agentes não apenas previram a possibilidade do resultado letal, como atuaram com absoluta indiferença ao bem jurídico vida, transformando um local de convivência familiar em pista de corrida mortal”, fundamentou Danielle.
A juíza também mencionou áudios atribuídos aos denunciados com orientações para exclusão de perfis em redes sociais, alteração de nomes e saída de grupos de mensagens, na tentativa de dificultar a produção de provas.

Acusações
Conforme a denúncia do Ministério Público (MP-SP), a participação dos acusados foi descrita da seguinte forma:
- Rudney Gomes Rodrigues: teria atropelado a vítima conduzindo a charrete;
- Salvador Marcelo Gozza: também dirigia uma das charretes participantes;
- Fabiano Helarico Ribeiro: conduzia outro veículo envolvido no racha;
- Eder Manoel Bimbati da Silva: atuava como batedor, dirigindo carro de apoio;
- Karina Santos Ribeiro: também exercia a função de batedora, acompanhando o comboio.
O órgão atribui ao grupo dois crimes de homicídio qualificado, sendo um consumado e outro tentado, mediante dolo eventual. Pedidos de prisão domiciliar por questões de saúde e alegações de condições pessoais favoráveis, como primariedade e residência fixa, também foram rejeitados, diante da gravidade dos fatos.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 23 de março de 2025, na faixa de areia da praia, na altura da Avenida Santa Cruz. Thalita pedalava ao lado de uma amiga quando foi atingida por uma das charretes que participavam do racha. Ela sofreu traumatismo cranioencefálico, chegou a ser levada a um hospital de Praia Grande, mas morreu dois dias depois.
Rudney foi preso em 29 de março de 2025 e segue detido preventivamente na Cadeia Pública de Peruíbe. Já Salvador e Eder são considerados foragidos desde abril do mesmo ano. A Justiça determinou a reiteração das diligências para localizar e capturar os dois, com apoio de órgãos de inteligência policial.