A delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, foi presa na manhã desta sexta-feira, 16, em uma casa alugada na zona oeste de São Paulo, sob suspeita de manter vínculos pessoais e profissionais com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A detenção ocorreu durante a Operação Serpens, conduzida pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil paulista e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em parceria com o núcleo do Pará. Layla será indiciada por quatro crimes: exercício irregular da profissão, falsidade ideológica, associação para o tráfico e integração em organização criminosa.
Empossada oficialmente como delegada no último 19 de dezembro, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Layla foi conduzida à Academia da Polícia Civil após a prisão. No local, foram recolhidos pertences guardados por ela em um armário, que passarão por perícia.
Na ocasião de sua posse, ela foi acompanhada por Jardel Neto Pereira da Cruz, o “Dedel”, apontado como liderança do PCC no Pará e tido como namorado da delegada.

Relacionamento com suspeito e atuação irregular
As investigações apontam que, já no exercício do cargo, Layla teria atuado de forma incompatível com a função policial, exercendo ilegalmente a advocacia durante uma audiência de custódia em Marabá (PA) no dia 28 de dezembro. O episódio teve como objetivo, segundo o apurado, a tentativa de libertar um integrante da facção.
A conduta foi considerada uma das evidências centrais do envolvimento da delegada com a organização criminosa.
Segundo informações divulgadas na imprensa, Layla Ayub era formalmente casada com um delegado da Polícia Civil do Pará, com atuação na mesma região de Marabá. A informação, que compõe o inquérito em curso, surgiu a partir de uma notícia-crime anônima encaminhada às autoridades e que motivou a abertura formal da apuração.
Mandados e decisão judicial
A prisão foi decretada pelo juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista. A decisão atendeu a uma representação apresentada pelo delegado Kleber de Oliveira Granja, responsável pela Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo.
Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de busca e apreensão, cumpridos nas cidades de São Paulo e Marabá, no sudeste paraense, além de dois mandados de prisão temporária — entre os alvos estavam a própria delegada e Jardel. Durante a abordagem na residência em São Paulo, foram apreendidos dois celulares, e Layla entregou voluntariamente um terceiro chip aos investigadores.
A apuração segue sob sigilo judicial e será aprofundada com base nos materiais colhidos ao longo da operação. A defesa de Layla não se pronunciou ainda sobre o caso.