Roberto Prieto Filho, conhecido como “Betinho”, apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) e preso na Bolívia, teve uma certidão de óbito falsa apresentada à Justiça enquanto estava foragido. O documento informava que ele havia morrido, mas a fraude foi descoberta posteriormente.
Conforme apurado pelo VTV News, Betinho foi condenado em janeiro de 2023 a 20 anos, dois meses e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Além da pena de prisão, ele foi condenado ao pagamento de 2.346 dias-multa.
Segundo os autos, Betinho se associou a outros homens para praticar o tráfico de drogas de forma reiterada e foi responsabilizado pela guarda de cocaína no processo que resultou em sua condenação. A Justiça também atribuiu a Betinho a ocultação e dissimulação da propriedade de um imóvel e de um veículo.
Em junho de 2025, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) registrou que, após a condenação de Betinho, “foi apresentada uma certidão de óbito falsa nos autos”, dando conta da suposta morte do réu.
O caso também foi mencionado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), posteriormente. Ao analisar um habeas corpus apresentado pelo advogado Hugo Luigi Sena Sales, a Justiça afirmou que Betinho já havia utilizado diferentes recursos processuais e chegou a tentar forjar a própria morte durante a tramitação do caso. Tanto o réu quanto sua esposa, Mayra Viviane Costa da Silva Pietro, e o defensor foram denunciados.
Primeira prisão
Em 14 de janeiro de 2022, Betinho foi preso por policiais da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém e encaminhado à cadeia anexa ao 1º Distrito Policial (DP), no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Foi nesta unidade que ele foi resgatado por homens armados, em uma “fuga cinematográfica”.
Ele deveria ser posteriormente transportado para outra unidade, mas os criminosos utilizaram escadas para acessar o pátio e abriram fogo contra os carcereiros. O ataque permitiu que Betinho deixasse a unidade e fugisse junto com outros dois detentos, um deles investigado por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Achado na Bolívia
A nova captura aconteceu na terça-feira (22), três dias depois da prisão de Márcio Barbosa Silva, conhecido como “Beiço de Mula”, também na Bolívia. Os dois são apontados como integrantes de uma organização criminosa. Segundo a Polícia Civil, eles se conhecem e estavam no mesmo país, mas eram alvos de investigações diferentes.
A operação foi chamada de “Sem Fronteira” e contou com a participação da Polícia Civil, da Polícia Federal, por meio da Interpol e do oficial de ligação brasileiro na Bolívia, e das forças de segurança bolivianas. Para o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, essa junção é “um fato inédito”.
Depois de identificar que os dois foragidos estavam escondidos na Bolívia, a Divisão de Capturas do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) enviou policiais civis a Santa Cruz de la Sierra.
“O futuro do combate ao crime organizado passa por essas iniciativas de integração das forças de segurança e de intercâmbio de informações”, acrescentou o superintendente regional da PF, Rodrigo Sanfurgo.
De acordo com a Polícia Civil, Betinho mantinha uma estrutura própria de segurança na Bolívia e continuava envolvido com o tráfico internacional de drogas. Ele também é apontado como sócio de André do Rap, uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), que é considerado foragido desde 2020.

O que diz a defesa
Ao VTV News, o advogado de Betinho, Mathaus Agacci, afirmou que “ainda não teve acesso ao procedimento relacionado à prisão ocorrida na Bolívia” e que, “por responsabilidade profissional, não se manifestará sobre as circunstâncias ou a regularidade desse ato até conhecer integralmente a documentação pertinente”.
“Em relação ao processo que tramita perante o Poder Judiciário brasileiro e que ensejou a expedição de mandado de prisão preventiva, a defesa sustenta, desde o início, a ocorrência de graves e sucessivas ilegalidades, verificadas tanto na fase de investigação quanto no curso da ação penal. Entre as questões submetidas ao Poder Judiciário estão violações às regras de competência, à legalidade da obtenção e utilização das provas e às garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa”,
disse o defensor.
Agacci também disse que as questões foram levadas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por meio de recurso especial, cujo julgamento é aguardado. “Há confiança de que as nulidades apontadas serão examinadas com a profundidade necessária e de que serão restabelecidas as garantias legais e constitucionais aplicáveis ao caso”.




