Uma mãe cobra providências da Secretaria de Educação (Seduc) após relatar que a filha, de 11 anos, foi agredida por um colega dentro de uma sala de aula em uma escola municipal de Praia Grande, no litoral de São Paulo. Segundo Erika Neves Demartini, a menina voltou às aulas nesta terça-feira (30), mas, até o momento, não recebeu acompanhamento psicológico nem foi procurada pela pasta após o ocorrido.
Ao VTV News, Erika contou que a direção da unidade informou que o adolescente apontado como autor das agressões permanece suspenso e que a rede municipal deve providenciar a transferência dele para outra escola. Apesar disso, segundo ela, a Seduc não entrou em contato com a família para informar quais medidas serão adotadas.
“Aparentemente o caso foi resolvido, mas, até então, a Seduc não me procurou para saber se minha filha precisava de um psicólogo, se tinha melhorado. Minha filha está com um braço roxo e dolorido”,
afirmou a mãe.
Ela acrescentou que acompanharia como seria o primeiro dia da filha de volta à escola. Por outro lado, a responsável pelo adolescente apontado como autor das agressões não foi localizada pela reportagem, mas o espaço permanece aberto para manifestação.
Entenda o caso
A agressão aconteceu na tarde da última terça-feira (23), na Escola Municipal Vereador Felipe Avelino Moraes, no bairro Caiçara. Segundo o boletim de ocorrência, uma discussão entre os estudantes terminou em troca de socos dentro da sala de aula. O registro policial aponta que não havia professor nem outro responsável no local no momento da briga.
Conforme o relato da menina à mãe, a discussão começou depois que um professor pediu que a porta da sala fosse fechada. Ela afirmou que atendeu ao pedido, mas o colega voltou a abri-la. Ao fechar a porta novamente, disse ter recebido o primeiro soco. A estudante contou que revidou, mas o adolescente voltou a agredi-la.
A criança também relatou que vinha sendo alvo de perseguições há semanas. Segundo ela, o colega jogou seus materiais no chão, lançou um livro contra sua cabeça, incentivou outros alunos a mexerem em seus pertences e fez ofensas com apelidos como “bola oito”, “taco de sinuca”, “lagarta de fogo” e “pomba gira sem pena”.
Providências
A mãe afirmou que a filha só revelou o ocorrido no dia seguinte, quando permaneceu em casa para uma consulta médica. Segundo Erika, a menina sentia vergonha do que havia acontecido e tinha medo de contar aos professores e familiares, e acrescentou que esta foi a segunda vez em que procurou a escola para registrar ocorrências envolvendo o mesmo estudante.
Os dois alunos cursam o 6º ano, mas, conforme informado pela mãe, o adolescente tem 14 anos por ser repetente. Erika defendeu medidas que garantam a segurança dos estudantes e disse temer que a simples transferência do aluno para outra unidade não seja suficiente para evitar novos episódios de violência.

Posicionamento
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que a Secretaria de Educação está “ciente dos fatos” e que a direção da unidade “adotou as medidas disciplinares necessárias”. A administração municipal acrescentou que “repudia qualquer tipo de violência e que orienta os alunos das unidades se ensino como forma de buscar a prevenção e conscientização”, por meio de ações desenvolvidas nas escolas.
Já a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou que o caso foi registrado como lesão corporal no 3º Distrito Policial de Praia Grande, que solicitou exames ao Instituto Médico Legal (IML) para a menina.