Quatro anos de espera, uma decisão judicial favorável e uma localização que, até agora, não foi suficiente para garantir o reencontro entre mãe e filho. A brasileira Karin Rachel Aranha Toledo, moradora de Campinas (SP), continua tentando recuperar Adam, levado pelo pai ao Egito em setembro de 2022, quando tinha quatro anos, sem a autorização materna.
Em abril de 2026, investigadores particulares contratados por Karin conseguiram localizar o menino e produziram fotografias que mostram a criança saindo de um imóvel ligado à família paterna, acompanhada da avó. Nas imagens, segundo a mãe, Adam aparece usando boné e máscara.
Apesar da localização, o menino permanece no Egito com familiares do pai. Em conversa com a reportagem do VTV News nesta quarta-feira (4), Karin afirmou que as informações reunidas pelos investigadores já foram encaminhadas às autoridades, mas ainda não houve uma medida que permita cumprir a decisão judicial e trazê-lo de volta.
“Meu filho está andando de boné e máscara para não ser identificado”, relatou.
Investigadores localizaram Adam, mas reencontro ainda não aconteceu
As fotografias foram feitas quase cinco meses depois de uma decisão da Justiça egípcia que concedeu a guarda de Adam à mãe, em novembro de 2025. Antes da localização pelos investigadores particulares, duas tentativas de cumprimento da determinação judicial já haviam ocorrido sem que o menino fosse encontrado no endereço procurado.
De acordo com Karin, os profissionais acompanharam a rotina da criança durante vários dias. Além das imagens em que Adam aparece ao lado da avó paterna, os investigadores também teriam registrado o menino dentro de um carro e identificado a placa do veículo.
A mãe afirma que entregou os registros às autoridades, mas não percebeu avanços na tentativa de recuperar o filho.
“Não adianta localizar e a embaixada simplesmente não fazer nada”, afirmou.
Karin também relata que há informações sobre o local onde Adam vive e estuda. Por segurança, a reportagem não divulga endereços, nomes de instituições ou detalhes da rotina da criança.
Mãe cobra atuação das autoridades brasileiras e egípcias
A localização de Adam renovou a expectativa de Karin, mas também aumentou a cobrança por providências. Segundo ela, o próximo passo depende da atuação das autoridades egípcias, responsáveis por executar as medidas determinadas pela Justiça local.
A brasileira afirma que se reuniu com representantes da Interpol na quinta-feira passada. Durante o encontro, segundo seu relato, recebeu a informação de que os esforços para localizar e recuperar o menino seriam intensificados.
Karin também contou que um e-mail foi encaminhado ao Ministério do Interior do Egito em março, mas, até o momento da conversa com o VTV News, não havia recebido resposta. Ela afirma ainda que o Ministério da Justiça brasileiro estaria pressionando o Ministério das Relações Exteriores egípcio para avançar no caso.
A mãe tenta, paralelamente, obter apoio para ampliar a cobrança por providências.
“Já tem endereço, já tem escola, já tem tudo do lado de lá. Mas precisa de um empenho maior do Itamaraty em relação a isso”, disse.
Karin teme que a demora prolongue ainda mais a separação. “Se não houver pressão do governo brasileiro pela devolução e repatriação do Adam, vão se passar mais anos”, declarou.
Relembre o caso:
Uma decisão judicial que ainda não garantiu a volta do menino
A disputa envolve processos no Brasil e no Egito. Em 2023, a Justiça Federal em Campinas decretou a prisão preventiva do pai de Adam, que também passou a constar na lista de procurados da Interpol por meio de uma notificação vermelha.
Em novembro de 2025, a Justiça egípcia concedeu a guarda da criança à mãe. Na mesma ocasião, segundo informações divulgadas sobre o processo, o pai e a avó paterna receberam uma determinação de detenção por sete dias em razão do descumprimento da ordem de entrega do menino.
A defesa de Karin também buscou medidas mais rigorosas para garantir o cumprimento da decisão. Mesmo assim, as tentativas de localizar Adam e executar a determinação judicial não tiveram resultado naquele momento.
O caso evidencia a complexidade de disputas internacionais envolvendo crianças. Embora uma decisão judicial reconheça o direito de guarda, sua efetivação em outro país depende da cooperação entre autoridades e dos mecanismos legais locais.
Medo de voltar ao Egito e expectativa por uma solução
A busca pelo filho também trouxe consequências para a segurança de Karin. Em junho de 2026, ela relatou ter sido levada à Bélgica por uma instituição após sofrer ameaças. Depois, retornou ao Brasil e afirmou que não se sente segura para voltar ao Egito sem apoio institucional.
Agora, com a localização de Adam, a brasileira tenta viabilizar novas medidas para que a decisão de guarda seja efetivamente cumprida. Em conversa com o VTV News, ela afirmou que se prepara para retornar ao país, mas ainda depende de condições que considera necessárias para sua segurança.
Para Karin, encontrar o filho não encerra a busca. A localização representa uma etapa importante, mas o objetivo continua sendo conseguir que Adam volte ao Brasil e que a decisão judicial tenha efeito prático.
Enquanto aguarda uma resposta das autoridades, a mãe segue mobilizando representantes, reunindo documentos e cobrando providências. Quatro anos depois da separação, a distância entre localizar uma criança e conseguir trazê-la de volta continua sendo o principal obstáculo.




