⚠️ Aviso de conteúdo: esta reportagem aborda uma denúncia de violência sexual contra crianças e pode conter informações sensíveis.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) discordou do pedido de prisão preventiva de um professor de Educação Física investigado por suspeita de violência sexual contra crianças em uma escola municipal de São Vicente, no litoral de São Paulo. O órgão pediu que, antes, a Polícia Civil realize novas diligências.
Como já noticiado, o professor foi afastado da Unidade Educacional Padre José de Anchieta, no bairro Parque das Bandeiras, após uma criança de cinco anos relatar à mãe uma situação de abuso na escola.
Segundo o delegado Thiago Espinha Garcia, responsável pelo 3º Distrito Policial (DP) da cidade, o professor foi indiciado por importunação sexual por três vezes, após mães procurarem a corporação. Os relatos das crianças vêm sendo a base da investigação, já que esse tipo de crime pode não deixar vestígios físicos.
Após reunir os depoimentos, o delegado afirmou estar “convencido” de que há elementos que apontavam para a autoria dos crimes atribuídos ao professor e solicitou a prisão preventiva ao Ministério Público. Entretanto, segundo Garcia, o órgão discordou do pedido de prisão e solicitou outras diligências.
Entenda o caso
Segundo o boletim de ocorrência (BO), a criança teria contado à mãe que foi mordida pelo professor nas partes íntimas e mencionou um “beijo no dente”. O relato foi filmado pela responsável, como é possível ouvir abaixo. Uma prima da menina, também de cinco anos e diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível II, teria relatado situações semelhantes. Ambas teriam sido ameaçadas pelo profissional.
O BO acrescenta que o professor teria colocado o órgão genital na boca da criança e a tocado em mais de uma ocasião, enquanto outros alunos brincavam no parquinho. As mães e a diretora da escola prestaram depoimento no último dia 29, no 3º DP, e o caso foi registrado como estupro de vulnerável.
A defesa do professor não foi localizada pelo VTV News, mas o espaço segue aberto para manifestações.
O que a escola fez
À Polícia Civil, a diretora da unidade escolar informou que o professor dava aulas na escola desde o início deste ano e que não havia registros anteriores de problemas semelhantes. Segundo ela, a unidade adotou providências administrativas, incluindo o afastamento do profissional no mesmo dia em que recebeu a denúncia.
Já a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), informou que auxiliou os responsáveis no registro do boletim de ocorrência e encaminhou o caso ao Conselho Tutelar para apuração. O município também informou que as crianças receberiam acompanhamento psicológico.

Como denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes
Casos de violência física, psicológica, ameaças, abuso, violações de direitos ou situações que coloquem crianças e adolescentes em risco podem ser denunciados por diferentes canais de atendimento. As denúncias podem ser feitas de forma anônima. Os principais canais são:
- Disque 100 – serviço nacional de denúncias de violações de direitos humanos;
- Polícia Militar – pelo telefone 190, em casos de emergência;
- Polícia Civil – presencialmente em delegacias;
- Conselho Tutelar – responsável por acompanhar situações que envolvam menores;
- Delegacias especializadas como as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e unidades de proteção à criança e ao adolescente.
Segundo especialistas, denúncias podem ser fundamentais para interromper ciclos de violência, garantir proteção às vítimas e auxiliar investigações. Mesmo em casos de suspeita ou quando não há confirmação dos fatos, informações podem contribuir para o acionamento da rede de proteção.
*Com informações da jornalista da VTV SBT, Giovanna Veiga




