A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta segunda-feira (9), em Piracicaba, uma mulher de 39 anos acusada de simular situações de sequestro, cárcere privado e violência sexual para extorquir duas amigas residentes em Portugal.
A investigação apontou que a suspeita forjou as situações para obter transferências bancárias e fotos íntimas das vítimas. A prisão foi realizada durante a Operação Sequestro Fantasma, conduzida pela Unidade de Polícia Judiciária Agrupada (UPJA) da cidade.
O caso começou a ser investigado em 23 de janeiro, após uma ligação feita por uma cidadã portuguesa à Polícia Civil paulista. Ela relatava que sua amiga no Brasil estaria sendo mantida sob coação por um criminoso, sofrendo agressões e sendo forçada a pedir ajuda financeira para ser libertada. A denúncia mobilizou as equipes da unidade de Piracicaba.

Simulação e contradições
Durante a apuração, os policiais localizaram familiares da suposta vítima em Votorantim (SP), que relataram contato regular com a mulher e ausência de qualquer sinal de ameaça. Ao ser encontrada, a mulher negou os crimes, mas se mostrou reticente e apresentou versões incompatíveis com os fatos, recusando-se a informar seu endereço com exatidão.
As investigações revelaram que a investigada mantinha contato virtual com as estrangeiras desde 2023, em razão de vínculos religiosos. Segundo a polícia, ela solicitava auxílio financeiro sob alegações de dificuldades pessoais e passou a enviar imagens encenando um cativeiro para obter vantagem indevida.
O valor transferido pelas vítimas, segundo a Polícia Civil, ultrapassa R$ 3.500,00, depositados diretamente em contas da própria suspeita.

Apreensão e confissão
Na residência localizada no bairro Nova Suíça, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão, recolhendo os celulares utilizados nas extorsões e um cobertor identificado nas imagens enviadas às vítimas como parte da encenação. Após ser confrontada com os elementos probatórios, a investigada confessou ter cometido os crimes.
Um mandado de prisão temporário foi expedido pela Justiça e deve responder por extorsão, com pena prevista de quatro a dez anos de reclusão, além de multa.