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Mulher que viveu como filha adotiva após fingir ter 12 anos vai a julgamento

Amanda Maria Souza de Oliveira responde por estelionato e falsa identidade após passar 14 meses com família que acreditava ter acolhido uma adolescente
Mulher em julgamento com roupas infantis, incluindo pijama com estrelas e camiseta de criança, imagem em contexto de investigação sobre a mulher que fingia ser criança em Joinville.

Testemunhas do processo envolvendo Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, serão ouvidas pela Justiça nesta quarta-feira (19), em Joinville, no Norte de Santa Catarina. A mulher responde por acusações de estelionato e falsa identidade após, segundo a investigação, se apresentar como uma menina de 12 anos e viver durante 14 meses com uma família que acreditava ter acolhido uma adolescente.

A audiência está marcada para as 18h. O caso ganhou repercussão nacional depois que Amanda admitiu, em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, ter mantido uma identidade falsa e se apresentado como criança por mais de 15 anos.

Defesa nega intenção de aplicar golpe

Embora reconheça que Amanda utilizou uma identidade falsa, a defesa contesta a acusação de fraude. O advogado Lúcio Sousa afirma que a mulher não teria provocado prejuízo financeiro às pessoas que a acolheram nem obtido vantagens materiais de forma criminosa.

Segundo o defensor, Amanda teria adotado esse comportamento como uma forma de buscar proteção e sobreviver após anos em situação de vulnerabilidade.

A mulher também reconheceu que enganou pessoas, mas afirmou que não pretendia aplicar um golpe. A defesa sustenta, portanto, que não existiria intenção de obter vantagem financeira, elemento que considera necessário para caracterizar o crime de estelionato.

Mulher se apresentava como adolescente

Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Amanda utilizava o nome de “Gabriele Ferreira dos Santos” e dizia ter 12 anos.

A investigação aponta que ela procurou uma igreja e relatou ao pastor que sofria maus-tratos. Como não apresentava documentos e mantinha comportamento considerado infantil, recebeu ajuda da comunidade religiosa e, posteriormente, passou a morar com uma família de Joinville.

Durante os 14 meses em que permaneceu na residência, Amanda teria utilizado voz infantil, roupas e objetos associados à infância para sustentar a identidade de adolescente. Segundo o MPSC, ela também simulava crises emocionais e dizia ter autismo e outros problemas de saúde.

A família chegou a preparar um quarto para a suposta adolescente e realizou uma comemoração de aniversário de 12 anos. Ainda conforme a denúncia, os familiares também forneceram medicamentos de alto custo para emagrecimento.

Suspeita utilizava o nome falso de “Gabriele” e chegou a ser acolhida informalmente por uma família no Norte de Santa Catarina. Foto: Reprodução/Polícia Civil de SC
Suspeita utilizava o nome falso de “Gabriele” e chegou a ser acolhida informalmente por uma família no Norte de Santa Catarina. Foto: Reprodução/Polícia Civil de SC

Prisão ocorreu em junho

A Polícia Civil prendeu Amanda em 2 de junho, em Joinville. Na ocasião, segundo os investigadores, ela mudou o tom de voz durante a abordagem e confirmou que acompanharia os policiais.

A mulher teria repetido comportamentos semelhantes em diferentes cidades ao longo dos anos. Em 2020, por exemplo, apareceu em um abrigo infantil e afirmou ter 12 anos e fugir de um pai abusivo. Um exame médico, porém, indicou que ela era adulta.

Já em 2021, segundo a investigação, Amanda utilizou outra identidade e afirmou ter leucemia. Em 2023, teria se apresentado como outra menina em situação de vulnerabilidade no Rio de Janeiro.

Os investigadores também encontraram no celular dela pesquisas relacionadas a comportamentos associados ao autismo e à representação de vítimas de abuso.

Avaliações apontaram condições psicológicas

Após a prisão, Amanda passou por uma avaliação de saúde mental. Os profissionais identificaram sinais de possíveis transtornos psicológicos, mas concluíram que ela compreendia os próprios atos e tinha condições de responder ao processo judicial.

Por outro lado, um laudo contratado pela defesa apontou transtorno de personalidade borderline, transtorno de personalidade dependente e depressão. O juiz decidiu não considerar esse segundo documento e autorizou a continuidade do processo.

Caso também é investigado no Paraná

Além do processo em Santa Catarina, Amanda responde a uma denúncia por fraude no Paraná. A investigação considera episódios semelhantes relatados em outros períodos e localidades.

Agora, a Justiça de Santa Catarina inicia uma nova etapa do processo com a oitiva das testemunhas. A defesa continuará sustentando que Amanda criou a identidade falsa para receber cuidado e proteção e que não teve intenção de obter vantagem financeira.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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