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Quem era Hérculis Santiago, caseiro morto a tiros em haras de Campinas

Caseiro de 50 anos vivia com a companheira e o filho no local onde trabalhava; familiares o descrevem como uma pessoa discreta, trabalhadora e dedicada à família

Hérculis Santiago, de 50 anos, dividia a rotina entre o trabalho no campo, o cuidado com os animais e a família. Caseiro de um haras na região do bairro Bosque das Palmeiras, em Campinas, ele morreu a tiros na manhã desta quinta-feira (1º), durante um ataque que também feriu sua companheira, Beatriz Correia de Lacerda dos Santos, de 36 anos.

O casal vivia em união estável desde 2025 e morava na propriedade onde trabalhava. Em janeiro deste ano, os dois tiveram um filho, que atualmente tem 8 meses. No momento do ataque, a criança estava com Beatriz, mas não sofreu ferimentos.

Rotina era marcada pelo trabalho no haras

Segundo relatos da família, Hérculis passava grande parte dos dias trabalhando na própria propriedade onde morava. Entre as atividades, ele cultivava alimentos, cuidava dos animais e fazia a manutenção das estruturas do local.

Além disso, o cunhado dele, Victor Gabriel Lacerda, de 22 anos, contou que Hérculis ajudou a reformar cômodos e outras estruturas para melhorar os espaços utilizados pela família.

A rotina de trabalho fazia parte da vida do caseiro. Segundo Victor, Hérculis cultivava alimentos e conseguia vender parte da produção.

“Tudo o que o Hérculis plantava, ele conseguia colher, vender e tudo dava dinheiro. Ele era trabalhador sim. Gostava de cuidar da família e só vivia trabalhando”, contou o cunhado.

Além do trabalho no campo, familiares também destacam o cuidado que Hérculis tinha com a companheira e o filho pequeno. Dessa forma, a rotina dele era dividida entre as responsabilidades profissionais e a vida familiar.

Casal se conheceu em igreja de Cosmópolis

Hérculis e Beatriz se conheceram na Assembleia de Deus, em Cosmópolis, segundo o irmão mais novo dela.

Depois disso, os dois passaram a viver juntos e construíram a rotina familiar no próprio haras. Em janeiro, o nascimento do filho marcou uma nova fase para o casal.

Enquanto cuidava da propriedade, Hérculis também acompanhava a rotina da família. Pessoas próximas o descrevem como um homem discreto e dedicado aos familiares.

Relembre o caso:

Ataque interrompeu rotina da família

Na manhã de quinta-feira (1º), entretanto, a rotina no haras terminou de forma violenta. Um disparo atingiu Hérculis na região do olho esquerdo, e ele morreu ainda no local.

Beatriz também levou um tiro no abdômen. Naquele momento, ela segurava o filho de 8 meses nos braços. Após os disparos, equipes de emergência retiraram a criança do local sem ferimentos.

Na sequência, equipes de resgate atenderam Beatriz e a levaram de helicóptero Águia para o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp.

Enquanto isso, a Polícia Civil iniciou as diligências para descobrir quem participou do ataque e qual foi a motivação. Até a última atualização, os investigadores tratavam o vizinho Abdias Nogueira Ramos, de 73 anos, como principal suspeito. Ele ainda não havia sido localizado.

Disputa pela propriedade já era investigada

Antes do ataque, Hérculis e Abdias já mantinham um histórico de conflitos envolvendo a propriedade. Além disso, a disputa chegou à Justiça e gerou registros policiais.

Segundo informações do processo judicial, Hérculis relatou problemas relacionados à permanência da família no imóvel, ameaças e dificuldades para desenvolver as atividades rurais.

Por outro lado, Abdias também registrou uma ocorrência contra Hérculis durante o período de conflito.

A Polícia Civil considera essa desavença uma das linhas de investigação. No entanto, os investigadores ainda não confirmaram que a disputa tenha motivado o homicídio.

Por fim, o caso segue sob investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A equipe busca esclarecer a dinâmica do ataque, identificar quem participou da ação e entender a motivação do crime.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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