Um policial civil de folga abordou um motociclista com arma em punho e o agrediu com tapas na cabeça e no corpo, na noite de sábado (17), no bairro Jardim do Sol, em Campinas (SP). O caso foi registrado como disparo de arma de fogo e desobediência, e está sob investigação da Corregedoria da Polícia Civil, conforme informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP).
O motociclista, de 26 anos, identificado como Rafael Constantino, disse que voltava do trabalho como auxiliar de logística quando passou a ser seguido por um veículo de cor vinho. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o condutor do carro — identificado como Carlos Augusto Giampietro, policial civil lotado no 7º Distrito Policial de Campinas — desce do automóvel com a arma apontada para Rafael, e realiza a abordagem com agressões físicas.
“Ele já chegou agredindo, perguntando se eu era o motoboy roubando um bairro da cidade. Eu estava nervoso, tremendo. Eu vi que ele estava alterado. Não pedia o meu documento, meus dados, nada”, disse Rafael ao VTV.
Assustado, o motoboy correu por uma rua paralela a avenida onde foi abordado. Ele afirmou que correu por cerca de dois quilômetros em busca de ajuda e, ao retornar acompanhado de um vigilante do bairro, foi novamente revistado — mesmo após se identificar como vítima.

Disparo e abordagem
Segundo o boletim de ocorrência, o policial disse ter suspeitado de envolvimento do motociclista em casos de furto e roubo de motos na região e tentou realizar a abordagem. A versão registrada aponta que o condutor da moto não teria obedecido à ordem de parada e, por isso, o policial teria efetuado um disparo de advertência para o alto, sem atingir ninguém.
As imagens obtidas pelo VTV, porém, que Rafael desceu da moto com as mãos na cabeça, em atitude de rendição, e foi agredido com tapas.
Versões contraditórias
O boletim de ocorrência difere das imagens registradas. Segundo o documento, a Polícia Militar teria localizado o motociclista após buscas, mas as gravações mostram que ele retornou por conta própria. Além disso, o texto diz que o policial apenas empurrou o homem e retirou seu capacete, sem menção às agressões observadas nas câmeras de vigilância.
Rafael foi incluído no registro como autor de desobediência, enquanto Carlos Augusto Giampietro aparece apenas como parte envolvida. A Secretaria de Segurança Pública confirmou que a arma foi entregue voluntariamente pelo policial e que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha o caso.