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Tragédia em Limeira reacende histórico de acidentes na Ponte do Esqueleto

Estrutura localizada entre Limeira e Cordeirópolis já registrou quedas fatais, falhas em saltos de rope jump e acidentes com ciclistas e praticantes de rapel

A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, trouxe novamente à tona o histórico de acidentes registrados na estrutura ferroviária desativada localizada entre Limeira e Cordeirópolis. Ao longo das últimas décadas, o local foi cenário de quedas, falhas em atividades esportivas e até mortes.

Sem barreiras de proteção e sob responsabilidade do governo federal, a ponte continua atraindo visitantes, ciclistas e praticantes de esportes radicais, apesar dos riscos já registrados.

Acidentes começaram a ser registrados ainda na década de 1990

Um dos casos mais antigos ocorreu em 1999. Na ocasião, um instrutor de mergulho que realizava uma descida de rapel sofreu uma queda após o rompimento dos cabos de ancoragem. O acidente provocou fraturas expostas nas pernas.

Anos depois, em março de 2012, um adolescente de 16 anos precisou ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros após cair em uma canaleta de escoamento próxima à cabeceira da ponte. O jovem caminhava pelos trilhos durante a noite quando perdeu o equilíbrio. Ele sofreu escoriações e fraturou o braço esquerdo.

Falhas em saltos já provocaram ferimentos graves

Em setembro de 2015, um praticante de rope jump de 24 anos sofreu traumatismo craniano e múltiplas fraturas após um erro no cálculo da extensão da corda utilizada durante um salto pendular.

Segundo as informações da época, o equipamento não conseguiu impedir que a vítima atingisse o solo. O caso levou à abertura de uma investigação para apurar a responsabilidade dos organizadores da atividade.

Dois anos depois, em novembro de 2017, outro acidente envolvendo esportes radicais foi registrado na estrutura. Um homem de 32 anos caiu de aproximadamente dez metros enquanto praticava rapel. O cabo de sustentação se rompeu durante a descida, causando fraturas na bacia e nos membros inferiores.

Já em 2020, uma mulher ficou ferida após colidir contra uma das pilastras da ponte durante um salto pendular. Equipes do Corpo de Bombeiros realizaram o resgate.

Quedas fatais e novos acidentes marcaram os últimos anos

Em abril de 2024, a ciclista Kelly Stefani de Oliveira Alves, de 36 anos, morreu após cair de uma altura aproximada de 15 metros. Ela pedalava com o marido e um grupo de amigos quando perdeu o equilíbrio. O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado, mas a vítima morreu no local.

No ano seguinte, em agosto de 2025, duas mulheres sofreram múltiplas fraturas após caírem da plataforma da ponte. Equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros realizaram o salvamento e encaminharam as vítimas para hospitais da região.

Agora, em junho de 2026, a estrutura voltou ao centro das atenções após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas. A jovem caiu de aproximadamente 40 metros durante uma prática de rope jump e a Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente.

Ponte pertence ao governo federal

A Ponte do Esqueleto integra um trecho inacabado da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e atualmente está sob responsabilidade da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

Inclusive, conforme explicado pela matéria do VTV News, a prefeitura de Limeira processará o Governo Federal após o acidente.

Segundo as prefeituras de Limeira e Cordeirópolis, os municípios não têm autorização legal para realizar intervenções ou restringir o acesso ao local por se tratar de uma área pertencente à União.

Além disso, a estrutura não conta com cercamento, vigilância permanente ou sistemas de proteção capazes de impedir a entrada de visitantes.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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