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Entenda por que homem que perseguiu e assediou mulheres em Guarujá não foi preso: ‘Facínora’

Suspeito de 26 anos confessou os ataques e já havia sido condenado pelo mesmo crime em 2023

O homem de 26 anos, investigado por perseguir e cometer importunação sexual contra mulheres em Guarujá, no litoral de São Paulo, confessou à Polícia Civil ter escolhido as vítimas que “chamavam sua atenção”. Apesar disso, ele não foi preso após prestar depoimento nesta quarta-feira (30). São pelo menos cinco vítimas.

Imagens obtidas pelo VTV News mostram o momento em que o homem se aproxima de mulheres na rua, conduzindo uma motocicleta, e toca o corpo delas sem autorização (veja mais abaixo). Segundo os registros de ocorrência, os casos vêm acontecendo desde maio deste ano, e uma das vítimas tem 12 anos.

A principal razão para a liberação do homem está relacionada ao período eleitoral. Como faltavam poucos dias para o primeiro turno das eleições, a Polícia Civil não poderia prendê-lo fora das hipóteses previstas no Código Eleitoral, mesmo diante das denúncias. A regra também vale para outros eleitores.

Ele compareceu à Delegacia Sede de Guarujá acompanhado da esposa e do pai e explicou o motivo dos ataques. “O problema dele é assim: ‘eu só faço isso quando eu bebo, fumo e cheiro’. Olha como ele é cara de pau? E ainda abaixa a cabeça”, disse o delegado Glaucus Vinicius, responsável pela investigação, à VTV, afiliada do SBT.

O suspeito já havia sido preso e condenado em 2023, também pela conduta de importunação sexual.

Por que ele não foi preso?

O artigo 236 do Código Eleitoral determina que eleitores não podem ser presos nos cinco dias que antecedem a eleição e nas 48 horas seguintes ao encerramento da votação. Mas há exceções:

  • prisão em flagrante delito;
  • cumprimento de sentença criminal condenatória por crime inafiançável;
  • prisão por desrespeito a salvo-conduto.
Homem que perseguia mulheres de moto confessa crimes e é solto em Guarujá – Foto: reprodução

Investigação

Para o delegado, o suspeito pode ser considerado um “facínora” – termo usado para se referir a uma pessoa que comete crimes com crueldade, maldade ou perversidade. Ele também afirmou que o investigado “não tinha outra alternativa a não ser contar” o que fez. Mesmo com a mobilização da Polícia Civil para buscar recursos jurídicos que justificassem a prisão, o homem precisou ser liberado após prestar depoimento.

“Isso é o que mais revolta um policial. A gente trabalha em cima de investigação, a gente vem juntando pequenos fragmentos e detalhes. Investigação, três dias juntando dados. E quando a gente chega no autor, [com] prova incontestável, a gente tem uma lei [em que] o bandido tem direito de votar. Como é que eu fico? Eu tive que me conter, ser profissional e agir no rigor da lei”,
afirmou o delegado.

A Polícia Civil continua investigando os casos como importunação sexual, estupro e estupro de vulnerável, já que uma das vítimas tem 12 anos. A corporação também orienta que possíveis outras vítimas procurem a delegacia para denunciar os casos, o que pode contribuir para um eventual pedido de prisão.

Como denunciar casos de violência contra a mulher


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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