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Desdobramento do caso: PM foi imobilizada por trás e morta com tiro na cabeça

Perícia descarta suicídio e aponta para feminicídio
Investigação da morte da policial Gisele Alves e decreto de prisão do tenente-coronel Geraldo Rosa Neto.

A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves ganhou novos desdobramentos com a divulgação da decisão que decretou a prisão do tenente-coronel Geraldo Rosa Neto. De acordo com os laudos periciais, a vítima foi imobilizada por trás e baleada na cabeça, o que reforça a suspeita de feminicídio e descarta a hipótese inicial de suicídio.

Os laudos periciais reunidos no inquérito apontam uma dinâmica de crime incompatível com suicídio.

Segundo a investigação, Gisele Alves foi imobilizada com força – com marcas de dedos na mandíbula e sinais de unhas no pescoço – antes de ser baleada na têmpora direita com uma pistola calibre .40 pertencente ao tenente-coronel. A trajetória do disparo, ascendente e da direita para a esquerda, também reforça a hipótese de execução.

Além disso, manchas de sangue foram encontradas em diferentes cômodos do apartamento, com padrões considerados incompatíveis com uma queda após um tiro por conta própria. A reprodução simulada indicou a impossibilidade técnica de suicídio e apontou que o disparo pode ter ocorrido pelas costas, de forma inesperada.

Com base nesse conjunto de provas, o Ministério Público se manifestou pela prisão, acatada pela Justiça Militar.

O que diz a defesa

Em nota, o advogado do tenente-coronel, Eugênio Malavasi, contestou a decisão judicial. Segundo ele, a prisão é ilegal e não possui fundamentação adequada.

“A prisão é manifestação ilegal, pois, sem entrar no mérito, a Justiça Militar não é competente para determinar medidas invasivas, sendo a atribuição da Justiça Comum”, afirmou.

Relembre o caso

Gisele Alves foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel, Geraldo Rosa Neto. O caso aconteceu no dia 18 de fevereiro, e a policial militar chegou a ser socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

No início, a morte foi tratada como possível suicídio. No entanto, a insistência da família por uma investigação mais aprofundada levou à realização de novos laudos periciais, que mudaram o rumo do caso.

Veja o que se sabe até agora  

  • Há um mês, em 18 de fevereiro, a soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça, no apartamento em que morava com o companheiro, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. O casal morava em um prédio no Brás, região central da capital paulista.
  • Às 7h28, uma testemunha vizinha ouviu um disparo. O tenente-coronel, que estava no local da ocorrência, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) às 7h57.
  • Ele reportou o caso às autoridades como suicídio. Posteriormente, o registro foi alterado para morte suspeita. A família da vítima contestou a versão de suicídio desde o início.
  • Geraldo disse à polícia que estava no banho no momento do disparo. No entanto, socorristas que chegaram ao local informaram que ele estava seco e que não havia sinais de água no banheiro.
  • Os socorristas tiraram ainda uma foto da vítima com a arma na mão. O advogado da família de Gisele, José Miguel Silva Junior, explicou que tal posição – a arma bem encaixada na mão – é incomum em casos de suicídio.
Desdobramento do caso: PM foi imobilizada por trás e morta com tiro na cabeça
Foto: Reprodução

O crime

  • Na manhã da ocorrência, o tenente-coronel fez contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que chegou a subir ao apartamento do casal.
  • No mesmo dia, no final da tarde, três mulheres policiais foram ao apartamento para fazer uma limpeza, o que foi confirmado em depoimentos à Polícia Civil, informou Silva Junior.
  • Em 19 de fevereiro, o primeiro laudo necroscópico já mencionava lesões na face e no pescoço, na lateral direita da soldado. As lesões foram resultado de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal, ou seja, causado por unha. 
  • No dia 6 de março, o corpo da policial foi exumado para realização de novos exames. No dia seguinte, segundo laudo necroscópico confirmou lesões contundentes na face e na região cervical.
  • Nessa terça-feira (17), um mandado de prisão preventiva contra Geraldo foi concedido pela Justiça Militar. A Polícia Civil concluiu o inquérito policial e indiciou o tenente-coronel por feminicídio e fraude processual.
  • Na manhã de hoje (18), Geraldo Leite Neto foi preso em sua residência, na cidade de São José dos Campos (SP). Ele foi levado ao 8º Distrito Policial, na zona leste da capital paulista, onde o caso estava sendo investigado. De lá, deve seguir para o Presídio Militar Romão Gomes, onde ficará à disposição da Justiça.
Desdobramento do caso: PM foi imobilizada por trás e morta com tiro na cabeça
Geraldo Leite Neto foi preso na manhã desta quarta-feira, em São José dos Campos – Foto: Reprodução/SBT News

*Com informações da Agência Brasil


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Autor

  • Pietra Mesquita

    Jornalista formada pela PUC-Campinas, com experiência em produção de conteúdo, redação, redes sociais e atuação jornalística multiplataforma. Interessada por cinema, entretenimento e cultura digital.

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