Uma estudante de Gestão Portuária registrou boletim de ocorrência (BO) por assédio contra um professor universitário em Santos, na Baixada Santista. De acordo com a vítima, durante aulas na Fatec Rubens Lara, no bairro Vila Matias, o docente teria pedido que ela “pegasse em suas calças e arrumasse” em três ocasiões, o que a deixou “intimidada e constrangida”.
A aluna, de 27 anos, relatou que atendeu ao pedido na primeira vez, mas recusou nas demais. Conforme o registro policial, obtido pelo VTV News na sexta-feira (19), ela também afirmou que o professor assiste vídeos pornográficos durante as aulas e faz uso de remédios controlados – o que, para os estudantes, estaria comprometendo a capacidade de ministrar aulas.
A direção da faculdade foi comunicada sobre o caso e orientou a estudante a registrar o BO na última terça-feira (16), o que foi feito três dias depois. Segundo a vítima, outros alunos já não se sentem seguros com o docente em sala de aula, e relatos anteriores de comportamento inadequado já haviam sido levados à coordenação da instituição (entenda a seguir).
Remédios controlados, aulas atrasadas e vídeos pornográficos no campus
Uma amiga da vítima, que preferiu não se identificar, contou à reportagem que tomou conhecimento do caso por meio de outro colega e compartilhou outros problemas recorrentes relacionados ao professor. Segundo ela, o docente, de 72 anos, enfrenta dificuldades em organizar suas aulas, aplicar avaliações e até em utilizar ferramentas básicas para o ensino.
O problema se torna mais grave para os alunos, pois o conteúdo das aulas estaria desatualizado. “Ele fez uma viagem a Detroit [em Michigan, nos Estados Unidos], em 2013, e metade dos materiais dele ainda são de lá”, disse a amiga da vítima. Ela também mencionou que há registros de comportamentos inadequados do docente, feitos por outros professores.
Apesar das queixas recorrentes, a direção da faculdade não teria tomado medidas imediatas para lidar com a situação e os alunos, segundo a amiga da vítima, se sentem desamparados. “Até agora, nada foi feito. A gente não sabe a quem recorrer”, afirmou. Ela ainda destacou que o professor, por ter idade avançada, costuma se apresentar “desleixado” em sala de aula.
Faculdade orientou jovem a registrar boletim de ocorrência
Em nota, o Centro Paula Souza (CPS), responsável pela Fatec, destacou que, por meio da Comissão Permanente de Orientação e Prevenção sobre Assédio Moral e Sexual (Copams), realiza ações de orientação e prevenção, incluindo capacitações para docentes, palestras e distribuição de materiais informativos, para prevenir comportamentos inadequados.
Ainda no posicionamento, o CPS reafirmou seu repúdio a qualquer ato de desrespeito ou assédio, e informou que, “assim que tomou conhecimento da denúncia, a coordenação acolheu a estudante e orientou que ela registrasse o boletim de ocorrência”. A informação também consta no registro policial e foi confirmada pela amiga da vítima.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) também foi contatada e confirmou que a investigação do caso segue em andamento na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos, com detalhes preservados devido à natureza do crime sexual. O VTV News ainda não identificou a defesa do docente, mas o espaço segue aberto.