A 1ª Vara Criminal de Hortolândia acolheu nesta segunda-feira (9) a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e converteu em réu Nelson Henrique Paes Delatore Palhares de Andrade, de 30 anos. O homem é investigado pela morte do dentista Marcelo Bacci Coimbra, de 64, residente em Amparo (SP). A vítima foi encontrada carbonizada em dezembro de 2025 na cidade vizinha de Sumaré.
Nelson responderá por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, extorsão e incêndio. Segundo apuração do VTVNews, Nelson segue respondendo ao processo sob custódia.
A juíza Viviane Mourão Ferreira determinou ainda a quebra de sigilo telefônico de um aparelho entregue à polícia por um familiar da vítima. A apuração continuará para verificar se há outros envolvidos no crime.

Defesa alega ausência de prova definitiva
O advogado Caio Cesar Devecchi, que representa o réu, afirmou que “a defesa recebe a denúncia do Ministério Público confiante no devido processo legal”. Ele alegou que, diante do estado do corpo, “não foi possível realizar exame que determinasse com precisão a causa da morte” e, portanto, não haveria prova cabal do homicídio.
“O direito não permite que uma pessoa responda por um crime na presença de uma dúvida razoável. Os demais crimes serão contestados e os fatos esclarecidos”, declarou Devecchi.
Ele disse confiar no julgamento técnico da Justiça e reiterou que pretende comprovar a inocência de Nelson quanto à acusação de homicídio.
Dinâmica do crime
De acordo com a denúncia, o assassinato ocorreu entre os dias 7 e 8 de dezembro, dentro de um motel no Jardim São Bento, em Hortolândia. O acusado teria executado o dentista e ameaçado funcionárias do local para que abrissem o portão de saída sem pagamento da hospedagem, a fim de remover o corpo.
O MP aponta que o réu posteriormente destruiu e queimou o cadáver em uma área do bairro Santa Terezinha, em Sumaré, junto com o veículo da vítima. O carro foi localizado incendiado no dia 9. Quatro dias depois, ossadas humanas foram encontradas e, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), um exame de arcada dentária do Instituto Médico Legal confirmou a identidade de Marcelo.
Nelson permaneceu foragido até 21 de dezembro, quando se apresentou voluntariamente ao 4º Distrito Policial da Consolação, na capital paulista, onde foi preso. Conforme relatado pela Delegacia de Investigações Gerais de Campinas, ele teria confessado a autoria do crime.