Um homem de 41 anos e uma mulher de 40 foram presos em flagrante na manhã desta segunda-feira (12), em Paulínia, suspeitos de maus-tratos, abandono de incapaz e lesão corporal contra os três crianças menores, dois filhos e uma na guarda do casal. A prisão ocorreu após denúncia de violência doméstica, atendida por agentes da Guarda Civil Municipal na Avenida Aristóteles Costa.
No local, a equipe foi recebida pela mulher, que alegou ter sido agredida pelo companheiro, ainda dentro da residência. Aos agentes, o homem confirmou a agressão. Durante a abordagem, os guardas encontraram três crianças dormindo em um sofá: uma bebê de 1 ano e 2 meses, um menino de 5 anos, e outra de 11.
Segundo o inspetor Herycon, que participou da ocorrência, uma das crianças reagiu à chegada dos agentes com a frase: “agora vamos sair do inferno”.

Casa estava em estado precário
De acordo com o relato da GCM, a residência apresentava sinais visíveis de abandono: o imóvel estava sem energia elétrica, havia acúmulo de sujeira por toda a parte, restos de vidro quebrado e manchas de sangue, além de ausência completa de alimentos na despensa. As condições foram descritas como “insalubres” pelos agentes.
As crianças foram imediatamente encaminhadas ao hospital municipal de Paulínia, para avaliação médica. Segundo os guardas, todas estavam sujas, fragilizadas e desassistidas. A perícia técnica foi acionada e realizou levantamento do estado do imóvel.

Segundo testemunhas, o casal teria discutido ainda durante a madrugada, enquanto os filhos permaneciam sozinhos na casa. Moradores próximos relataram que o Conselho Tutelar já havia recebido denúncias anteriores sobre o caso, e que vizinhos ajudavam a família com doações de água e suprimentos básicos. Parentes das crianças vivem em outras cidades e não mantêm convivência regular, segundo apuração da reportagem.
Processo e audiência
A Polícia Civil confirmou que os pais foram autuados por maus-tratos, abandono de incapaz e lesão corporal, e permanecem à disposição da Justiça. O caso foi registrado na Delegacia de Paulínia, e ambos devem passar por audiência de custódia. O Conselho Tutelar acompanha o caso e dará encaminhamento às medidas de proteção para as crianças.