O homem preso pela morte do advogado Lucas Silva Lopes, de 30 anos, confessou o crime, segundo a Polícia Civil. Imagens de câmeras de segurança ajudaram os investigadores a refazer o trajeto do suspeito na madrugada de 2 de agosto.
Nas imagens, o carro aparece seguindo até um local que, segundo a investigação, era conhecido por Leonardo Jhonatan Olivera. Depois, ele deixa o local dirigindo o carro que pertencia à vítima. O assassinato teria acontecido em cerca de três minutos, em uma estrada de terra na zona rural de Mogi Mirim.
Após pegar o carro de Lucas, Leonardo teria abastecido o veículo e, segundo a investigação, tomado cuidado para pagar ao frentista de uma forma que dificultasse a identificação de seu rosto. A caminho do local onde o carro seria abandonado, o suspeito passou por diferentes pontos e chegou a transitar nas proximidades de um posto policial. Mesmo assim, seguiu com o veículo até uma área afastada.
Na sequência, Leonardo, de 32 anos, abandonou o carro e ateou fogo ao veículo. As imagens registradas ao longo do trajeto foram analisadas pela polícia e ajudaram a reconstruir os passos dele após o assassinato.
A investigação avançou até a prisão, realizada na sexta-feira (14), quando o suspeito estava a caminho da escola para buscar o filho. Segundo o delegado Fábio Chrysostomo, responsável pelo caso, ele confessou ter matado o advogado.
A motivação do crime ainda não foi divulgada oficialmente pela polícia. Uma das possibilidades investigadas é que o assassinato tenha sido cometido por vingança, já que o advogado teria registrado um boletim de ocorrência contra Leonardo por estelionato, no ano passado, mas não deu continuação no caso. A polícia apura se esse episódio teria relação com o crime e se havia algum desentendimento anterior entre os dois.
Além de esclarecer a motivação, a investigação também busca identificar a possível participação de outra pessoa no crime. As autoridades estão à procura de um segundo suspeito, que pode estar envolvido no assassinato.
Trajetória de Lucas
A trajetória de Lucas Silva Lopes foi marcada pela atuação em defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Ele tinha paralisia cerebral e construiu uma carreira dedicada à área jurídica e à inclusão.
Desde 2020, era inscrito na subseção da OAB Campinas, onde também fazia parte das comissões de Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas com Deficiência.
Na formação acadêmica, Lucas era mestre em Direitos Humanos pela Universidade de São Paulo (USP) e cursava doutorado na mesma instituição. Ele também tinha o objetivo de seguir carreira no Ministério Público e sonhava em se tornar promotor de Justiça.
Sua atuação, no entanto, não se limitava à advocacia. Lucas trabalhou na Ambev e também teve uma ligação com a Casa da Criança Paralítica (CCP), onde foi paciente e, posteriormente, diretor-secretário entre 2023 e o início de 2026. Além disso, participava do projeto de Extensão de Natação Paralímpica da Unicamp.
Relembre o caso: