A Medida Provisória nº 1.394 determinou o fim das bets no Brasil, obrigando a saída de sites e aplicativos do ar até 6 de outubro. A decisão busca estancar o comprometimento da renda familiar, que elevou a inadimplência de apostadores em 20% e reduziu em 16% o limite de crédito disponível no mercado, segundo o Insper. No comércio, as dívidas de apostas já retiraram R$ 143 bilhões do consumo entre 2023 e 2026.
Em 2024, cerca de 24 milhões de brasileiros fizeram transferências via Pix para casas de apostas, segundo o Banco Central. O impacto chegou à mesa dos trabalhadores: a Febraban revela que 37% dos apostadores afetaram a compra de alimentos e 36% atrasaram contas básicas.
Especialista orienta 3 passos fundamentais para reorganizar as finanças
Para quem precisa reorganizar as finanças, o conselheiro da BluSol, Ralf Marcos Ehmke, destaca que a primeira atitude exige encarar a realidade do orçamento e abandonar a ilusão de recuperar o dinheiro perdido no jogo.
“É preciso nomear o problema: aposta não é fonte de renda. O jogo de azar é um negócio em que o apostador perde no longo prazo. A expectativa de recuperar o dinheiro leva a novas apostas mesmo quando o resultado já prejudica as contas da casa e do trabalho. Dificuldade para parar, gastos escondidos e tentativas repetidas de ‘recuperar o prejuízo’ são sinais de alerta que merecem atenção e cuidado, não motivo para constrangimento”, explica Ralf.
Para organizar finanças familiares de forma definitiva e renegociar dívidas acumuladas, o especialista detalha o plano de ação em três etapas estratégicas:
- Mapeamento completo e diagnóstico das dívidas: Coloque absolutamente todas as contas no papel ou em uma planilha. Liste a sua renda líquida total, despesas fixas da casa, parcelas de cartão de crédito, faturas em atraso e empréstimos contratuais. Ter esse panorama real impede decisões impulsivas e evita que a pessoa tome escolhas financeiras baseadas apenas no saldo momentâneo disponível na conta bancária.
- Redirecionamento do fluxo de caixa e criação de reserva: Dê imediatamente um novo destino ao dinheiro. A verba que antes alimentava as apostas precisa ir diretamente para a quitação de débitos e negociação com credores. Assim que você equilibrar as contas essenciais e zerar os atrasos, direcione esse valor para formar uma reserva de emergência. O conselheiro reforça um alerta essencial: tentar recuperar prejuízo com apostas apenas amplia a bola de neve do endividamento.
- Uso consciente e estratégico do crédito: Linhas de crédito como cartão, cheque especial e empréstimos pessoais exigem crédito consciente. Utilize esses recursos apenas para necessidades estruturadas, como aquisição de equipamentos, investimento em trabalho autônomo ou capital de giro. Nunca recorra a empréstimos bancários para apostar ou tentar cobrir perdas de jogos anteriores. Antes de fechar qualquer contrato, analise sempre o Custo Efetivo Total (CET) e verifique se o valor das parcelas cabe no orçamento dos meses seguintes.
Apoio familiar e atenção ao prazo de saque do saldo
A busca pela saúde financeira também exige a participação ativa e consciente das pessoas próximas. O especialista orienta a agir com empatia, mantendo o foco na proteção patrimonial da família.
“Se você percebe alguém nessa situação, converse em particular e sem acusações. Ofereça ajuda para organizar as contas, se a pessoa concordar, e proteja o próprio orçamento: não empreste nome, cartão ou senha, nem assuma dívida que não pode pagar. Apoiar não é financiar novas apostas”, alerta Ralf.
Apostadores que ainda possuem saldo nas plataformas digitais devem realizar a retirada voluntária dos recursos até às 23h59 do dia 5 de outubro.
Ajuda médica e apoio no SUS para compulsão por jogos
O jogo problemático é uma questão de saúde pública. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito e suporte especializado para as pessoas afetadas e seus familiares.
O atendimento pode ser iniciado pelo aplicativo Meu SUS Digital, acessando a aba “Problemas com jogos de apostas?”. Na rede física, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) fazem o acolhimento inicial e o encaminhamento para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Sobre a BluSol
Fundada em 1997 em Blumenau (SC), a BluSol é uma Instituição Comunitária de Crédito voltada ao financiamento de empreendedores formais e informais, MEIs, micro e pequenas empresas e autônomos. A instituição possui 13 filiais e atua em mais de 180 municípios nos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, oferecendo crédito orientado para capital de giro, investimentos e expansão de negócios.
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