Governos e ONGs ambientais de ao menos 11 países alertaram o Brasil sobre dificuldades logísticas e valores elevados para hospedagem durante a COP30, marcada para novembro, em Belém (PA). Representações diplomáticas informaram que os custos excessivos podem provocar cortes nas delegações, e em alguns casos, pedidos para que a sede da conferência seja alterada.
As manifestações constam em documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e foram confirmadas pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, em evento da UNFCCC na quinta-feira (31). “Representantes de regiões pediram para tirar a COP de Belém”, afirmou.
A preocupação internacional gira em torno dos preços cobrados por hotéis e aluguéis temporários na capital paraense. Dados da Secretaria Executiva para a COP30 apontam que Belém possui cerca de 53 mil leitos, sendo 14 mil em hotéis. No entanto, a demanda elevada inflacionou os valores.

Há anúncios de estadia por R$ 109 mil no período do evento. Casas são ofertadas por até R$ 140 mil e chácaras superam meio milhão. Um hotel que cobrava R$ 70 em 2023, agora exige R$ 5.670 por noite — um aumento de mais de 80 vezes.
Com a chegada da COP30, um hotel localizado em Belém chegou a mudar o nome do local. O local antes chamado de “Hotel Nota 10”, agora é identificado nas plataformas de hospedagem como “Hotel Cop30”. A informação foi confirmada após checagem de raspas digitais.

Reduções de comitivas e reunião emergencial
As delegações da China, Suíça, Alemanha e Indonésia relataram formalmente a dificuldade de justificar os gastos a seus respectivos governos. A Indonésia, que levou 800 representantes à COP29, deve enviar cerca de 500 neste ano. O grupo de países africanos, por meio do diplomata Richard Muyungi, exigiu um posicionamento oficial do Brasil, que se comprometeu a apresentar um relatório até 11 de agosto. A ONU convocou uma reunião de emergência para tratar do tema no último dia 29.
A embaixada brasileira na Suíça alertou que os custos podem limitar a participação parlamentar. Já a embaixada em Berlim citou receios com o “encarecimento excessivo” de serviços como táxis e restaurantes, além da hospedagem. O argumento recorrente entre os países é que os preços comprometem o caráter inclusivo e representativo da conferência.
Resposta do governo brasileiro
O Ministério do Turismo afirma que a preocupação internacional está sendo superada. O ministro Celso Sabino informou que o governo federal investe mais de R$ 4 bilhões em infraestrutura para a COP30 e que novos leitos estão sendo entregues. Segundo ele, parte das acomodações ficará pronta ainda em agosto.
“Estamos com milhares de leitos que vão ficar prontos agora. Visitei hotéis com diárias de R$ 2 mil ou R$ 3 mil. O argumento de que não há leitos ou que os preços são exorbitantes está sendo mitigado”, disse Sabino.
Entre as novas opções estão navios que servirão como hospedagem e obras como o Parque da Cidade e o porto da Ilha de Outeiro.