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CPI dos kits de robótica pede indiciamento de ex-secretário em Limeira

Relatório final aprovado por unanimidade também recomenda aprofundamento das investigações envolvendo o ex-prefeito Mario Botion e outros ex-integrantes da administração
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) reunidos para o indiciamento do ex-secretário

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a compra de kits de robótica para a rede municipal de ensino de Limeira aprovou, por unanimidade, o relatório final dos trabalhos. O documento recomenda o indiciamento do ex-secretário de Educação André Luiz de Francesco e pede novas investigações envolvendo o ex-prefeito Mario Botion, além de outros ex-integrantes da administração municipal e da empresa responsável pelo fornecimento dos equipamentos.

Com 93 páginas, o relatório aponta possíveis prejuízos aos cofres públicos, indícios de superfaturamento e suspeitas de direcionamento na licitação que resultou na contratação dos produtos.

Comissão realizou 15 reuniões e ouviu 19 pessoas

A CPI foi instaurada em novembro de 2025 para apurar a aquisição de kits de robótica, livros paradidáticos e licenças de tecnologia para a rede municipal de ensino.

Ao longo de mais de sete meses de trabalho, os vereadores realizaram 15 reuniões e colheram 19 depoimentos. O relatório final destaca ainda as ausências do ex-secretário de Educação André Luiz de Francesco, do ex-prefeito Mario Botion e do ex-chefe de gabinete Edson Moreno Gil em convocações da comissão.

Além de Francesco e Botion, os parlamentares recomendaram o aprofundamento das investigações sobre o ex-secretário de Assuntos Jurídicos Daniel de Campos, o ex-chefe de gabinete Edson Moreno Gil e a empresa Life Tecnologia Educacional.

Documento será enviado a órgãos de controle

Após a leitura em plenário da Câmara Municipal, o relatório será encaminhado ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), ao Tribunal de Contas da União (TCU), à Polícia Federal, à Justiça Federal, à Polícia Civil, à Prefeitura de Limeira, à Procuradoria e à Controladoria-Geral do Município, além da presidência da Câmara.

Contrato de R$ 10,7 milhões também é investigado pela PF

O caso é alvo de investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Coffee Break, deflagrada em novembro do ano passado.

As apurações envolvem um contrato de R$ 10,7 milhões firmado pela Prefeitura de Limeira para a compra de kits de robótica, materiais didáticos e licenças de tecnologia da empresa Life Tecnologia Educacional.

Segundo a investigação federal, a empresa é suspeita de ter comercializado produtos com valores até 35 vezes superiores aos praticados no mercado.

Durante a operação, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca em endereços ligados ao ex-prefeito Mario Botion e à empresa fornecedora. Os policiais apreenderam documentos, computadores, aparelhos eletrônicos e cinco veículos.

Os investigadores também apuram suspeitas relacionadas à movimentação financeira da empresa, ao possível uso de companhias de fachada e a pagamentos indevidos para obtenção de contratos públicos.

Ex-prefeito defende legalidade da licitação

Em nota divulgada na época da Operação Coffee Break, a defesa do ex-prefeito Mario Botion afirmou que o processo de contratação ocorreu de forma regular e transparente.

Segundo a manifestação, a licitação seguiu todos os trâmites administrativos e observou os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

A defesa também declarou que os órgãos de controle não teriam apontado irregularidades na execução contratual durante a gestão do ex-prefeito e afirmou que ele permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Já a Life Tecnologia Educacional informou, à época da operação, que não se pronunciaria sobre o caso.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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