A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, nesta quinta-feira (25), a quebra de sigilo bancário e fiscal e o pedido de prisão preventiva do advogado Nelson Wilians Fratoni Rodrigues. A medida foi proposta pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) e incluída na pauta da sessão, que acabou suspensa após uma troca de acusações entre parlamentares e advogados.
Além da prisão, a comissão também solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relatórios detalhados sobre movimentações financeiras de Wilians entre 2019 e 2025.
O advogado foi alvo de investigação da Polícia Federal em apurações que envolvem descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Na semana passada, ao prestar depoimento à comissão, ele recusou-se a firmar compromisso de dizer a verdade, permaneceu em silêncio diante da maioria das perguntas e negou qualquer relação com o esquema de fraudes.
Tumulto na sessão após acusações contra “Careca do INSS”
A sessão desta quinta-feira também teve depoimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ele se recusou a responder às perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), sob a justificativa de que já teria sido previamente “condenado” pelo parlamentar em reunião anterior, sem direito de defesa.
Mesmo com a recusa, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), manteve o rito. Gaspar então afirmou que a comissão estava “diante do autor do maior roubo dos aposentados e pensionistas da história do Brasil”. A declaração gerou reação imediata da defesa, provocando o ápice da tensão.
O advogado de Antunes, Cleber Lopes, elevou o tom de voz, e parlamentares também se exaltaram. O deputado Zé Trovão (PL-SC) deixou seu assento e caminhou em direção à mesa diretora, gritando: “O senhor não tem direito de falar aqui.” A sessão, que naquele momento estava sob condução do vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), foi suspensa por alguns minutos.