O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou líderes ocidentais de cederem à pressão de ativistas e reiterou que seu governo não aceitará a criação de um Estado palestino. O pronunciamento foi feito nesta sexta-feira (26), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no momento mais duro já adotado por Tel Aviv contra seus aliados desde o início da guerra em Gaza.
Netanyahu reagiu à decisão de países como França, Reino Unido, Austrália e Canadá, que nas últimas semanas passaram a apoiar abertamente o reconhecimento do Estado palestino como forma de preservar a solução de dois Estados.
“Eles fizeram isso após os horrores cometidos pelo Hamas em 7 de outubro — horrores elogiados naquele dia por quase 90% da população palestina”, declarou o premiê israelense.
“Quando ficou difícil, vocês cederam”
Netanyahu acusou governos ocidentais de se curvarem a “uma mídia tendenciosa, grupos radicais islâmicos e multidões antissemitas”. Segundo ele, por trás de portas fechadas, esses mesmos líderes agradecem a Israel por impedir ataques terroristas em capitais estrangeiras por meio de sua rede de inteligência.
A declaração ocorre em meio a um isolamento diplomático crescente de Israel, cuja condução da guerra — iniciada após o ataque do Hamas em outubro de 2023 — já deixou mais de 65 mil mortos na Faixa de Gaza, conforme dados das autoridades de saúde locais. Do lado israelense, o ataque inicial matou cerca de 1.200 pessoas.
Netanyahu subiu ao púlpito depois de ouvir líderes árabes e muçulmanos acusarem seu país de crimes de guerra e genocídio. Em resposta, refutou o que chamou de “falsa acusação de genocídio” e rejeitou a legitimidade do Tribunal Penal Internacional, que emitiu um mandado de prisão contra ele pelos ataques em Gaza.

Reação no plenário e impasse nas negociações
A fala de Netanyahu gerou reações distintas na ONU. Enquanto alguns delegados se levantaram e o aplaudiram de pé, dezenas deixaram o salão em protesto.
No discurso, o premiê também se dirigiu aos reféns ainda mantidos em Gaza — estima-se que apenas cerca de 20, dos 48 sequestrados, estejam vivos. “Não nos esquecemos de vocês — nem por um segundo”, disse, em hebraico. Na véspera, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou acreditar que um acordo para libertar os reféns e encerrar a guerra estaria “próximo”. Contudo, não detalhou os termos ou justificou seu otimismo diante do impasse nas negociações.
O Hamas chegou a oferecer a libertação dos reféns restantes em troca da retirada das tropas israelenses de Gaza, proposta rejeitada até o momento por Tel Aviv.
Israel reitera postura contra Estado palestino
Com mais países aderindo ao reconhecimento formal da Palestina, o governo de Netanyahu — o mais alinhado à direita na história de Israel — reforçou que não aceitará a criação de um Estado palestino.
“Grande parte do mundo não se lembra mais do dia 7 de outubro. Mas nós nos lembramos”, afirmou o líder israelense, ao encerrar sua fala diante da cúpula global.