A proteção de crianças, adolescentes e mulheres em regiões ribeirinhas e de difícil acesso esteve no centro dos debates do evento “Manas que Protegem”, realizado em Brasília. O encontro reuniu representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), do Ministério Público Militar, além de organizações da sociedade civil e entidades ligadas ao setor de infraestrutura.
Durante o evento foi celebrado um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério de Portos e Aeroportos e o CNMP para promover ações voltadas à garantia de direitos e ao enfrentamento da violência contra crianças, adolescentes e mulheres nos setores portuário, hidroviário e aeroviário.
A iniciativa contou com o apoio do IBI Social, braço social do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), que vem atuando na articulação entre órgãos públicos, empresas e instituições para ampliar ações de proteção em comunidades vulneráveis.
Construindo pontes
Presidente do IBI Social, Eliane Sammarco destacou que o principal papel da instituição é justamente conectar iniciativas que já existem, mas que muitas vezes atuam de forma isolada.
“Quando a gente formou o IBI Social, tinha mil ideias. Depois fomos percebendo que dentro do nosso próprio setor já existiam muitas ações importantes acontecendo. O papel do IBI Social é justamente construir pontes entre o setor público, o setor privado, a Marinha do Brasil e diversas instituições que trabalham com essa pauta”, afirmou.

Segundo ela, o evento mostrou na prática como diferentes organizações podem atuar de forma integrada.
“Estamos aqui com o Ministério de Portos e Aeroportos, Ministério Público, Ministério do Turismo, organizações da sociedade civil. O importante é justamente isso: aproximar pessoas e fortalecer ações que já estão acontecendo”, destacou.
Realidade distante dos grandes centros
Durante o debate, uma das preocupações apresentadas foi a situação enfrentada por meninas e adolescentes que vivem em regiões isoladas da Amazônia e em comunidades ribeirinhas.
Segundo Eliane Sammarco, muitas dessas jovens convivem com situações de exploração que acabam sendo naturalizadas ao longo dos anos.
“Quando a gente fala dessas regiões remotas, estamos falando de uma realidade muito diferente da que vemos nos grandes centros. Muitas meninas crescem acreditando que não existe outra perspectiva de vida. Elas não enxergam oportunidades de trabalho, de capacitação ou de construção de um futuro diferente”, explicou.
A presidente do IBI Social ressaltou que a falta de acesso a serviços públicos e oportunidades contribui para a vulnerabilidade dessas populações.
“Nosso desafio é justamente criar caminhos para que essas meninas tenham acesso à qualificação profissional, educação e oportunidades reais de transformação.”
Barco leva atendimento onde estradas não chegam
Entre os projetos apresentados durante o evento está o Barco Infância Protegida, iniciativa que busca levar atendimento, acolhimento e orientação para comunidades de difícil acesso.
Para Eliane, a proposta é fundamental porque muitas dessas localidades só podem ser alcançadas por via fluvial.
“Primeiro é preciso escutar essas pessoas. E muitas vezes só conseguimos chegar até elas por meio dos rios. O barco permite levar atendimento, orientação, apoio psicológico e proteção para comunidades que normalmente estão longe das estruturas tradicionais do Estado”, afirmou.
Ela também destacou que o projeto foi concebido com foco em sustentabilidade e inclusão social.
Próximos passos
Após o evento, o foco agora passa a ser transformar os debates em ações concretas.
Segundo Eliane Sammarco, empresas mantenedoras do Instituto Brasileiro de Infraestrutura já procuraram o IBI Social para discutir formas de participação e apoio às iniciativas apresentadas.
“Agora começa a parte mais importante, que é a entrega. Já temos reuniões marcadas com empresas do setor para mostrar os projetos e discutir como podemos unir forças. A resposta tem sido muito positiva e isso mostra que existe disposição para construir soluções conjuntas”, afirmou.
A expectativa é que a cooperação entre poder público, iniciativa privada e organizações sociais amplie o alcance das ações de proteção e garanta mais oportunidades para crianças e adolescentes que vivem em regiões historicamente marcadas pelo isolamento e pela vulnerabilidade social.