O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (31) que o governo federal lançará nos próximos dias um plano de contingência para amparar setores da indústria e do agronegócio afetados pela nova tarifa de importação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo ele, as medidas estão sendo finalizadas pela equipe da Fazenda e serão encaminhadas à Casa Civil.
As declarações foram dadas a jornalistas em Brasília, um dia após a confirmação da medida pelo governo norte-americano. “Nosso foco agora é proteger os empregos no Brasil e garantir apoio à indústria e ao agro”, afirmou Haddad. De acordo com o ministro, apesar de mais de 700 itens brasileiros terem sido excluídos da lista inicial, ainda há setores prioritários que serão incluídos nas próximas rodadas do plano de compensação.
Diálogo com os EUA
Haddad confirmou que houve um novo contato com a equipe do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e que uma nova conversa entre os dois está sendo agendada. Apesar de considerar as tarifas “injustas”, o ministro disse que o Brasil seguirá buscando entendimento.
“Essa atitude de sobretaxar nos afasta, mas o Brasil quer aproximação. Nossa economia é grande demais para ser apêndice de qualquer outra. Precisamos de equilíbrio entre nossos parceiros”, declarou. Para ele, o país tem adotado a postura correta ao evitar confronto direto e manter o diálogo. “Não é o ponto de chegada, é o ponto de partida”, acrescentou.
O ministro também mencionou que, diante das tarifas iniciais, produtos como café, suco e carne — tradicionais no café da manhã americano — sofreriam impacto direto, o que levou os EUA a rever parte das taxas. Ainda assim, Haddad reforçou que o foco do governo é mitigar os efeitos internos, especialmente no setor produtivo.
Crítica a articulações internas
Sem citar nomes, Haddad também criticou brasileiros que estariam, segundo ele, promovendo desinformação junto a autoridades norte-americanas. A conduta, para o ministro, prejudica o país em negociações internacionais e enfraquece sua imagem externa.
“Está havendo desinformação. É muito diferente quando você tem uma força interna trabalhando contra os interesses do país. Isso fragiliza o Brasil. E isso não está acontecendo em nenhum outro lugar do mundo, só no Brasil”, declarou. Em sua avaliação, atitudes desse tipo comprometem a democracia e a soberania nacional.
Instituições sob defesa
Haddad reforçou que o Brasil é signatário de tratados internacionais de comércio e direitos humanos, e que mantém instituições sólidas, com canais formais de defesa jurídica tanto no plano interno quanto no internacional. “Não é agredindo uma potência ou disseminando desinformação que se constrói diálogo”, concluiu.