O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (2) a fase final do julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de subversão da ordem democrática. A análise dos votos deve se estender até o dia 12 de setembro, com transmissão ao vivo e expectativa de nova mobilização popular nas ruas e redes. O caso ganhou repercussão internacional após o governo de Donald Trump, aliado do ex-mandatário brasileiro, prometer acompanhar de perto o desfecho e retaliar economicamente o Brasil.
O processo investiga a suposta articulação de Bolsonaro para permanecer no poder após ser derrotado nas eleições de 2022. A ofensiva judicial ocorre no rastro da invasão às sedes dos Três Poderes, em janeiro de 2023, por apoiadores do ex-presidente. A ação foi classificada como tentativa de golpe por ministros da Corte e está no centro da denúncia.

Monitoramento e cerco ampliado
No último sábado (31), o ministro Alexandre de Moraes determinou a inspeção de todos os veículos que saem da residência de Bolsonaro e reforçou a vigilância no entorno, como medida cautelar para prevenir fuga. A decisão ocorreu após o ex-presidente afirmar, em entrevista à Reuters, que não espera absolvição: “Eles querem me condenar”, declarou.
Moraes, relator do processo, tornou-se figura central do embate entre Judiciário e bolsonarismo. É visto por parte da sociedade como garantidor da ordem institucional, enquanto críticos o acusam de agir com viés político. “Ele está assumindo um papel de liderança para que crimes contra a democracia não fiquem impunes”, afirmou a senadora Eliziane Gama (PSD-MA).
Reação internacional e tensões diplomáticas
A administração Trump, que classificou o julgamento como “perseguição política”, impôs tarifas de 50% sobre diversos produtos brasileiros, sancionou o ministro Moraes e revogou os vistos diplomáticos de outros integrantes da Suprema Corte. A medida causou desconforto no Itamaraty, mas ainda não houve posicionamento oficial do governo brasileiro.
Nos Estados Unidos, o caso é utilizado por Trump como argumento em sua campanha presidencial, mobilizando bases conservadoras ao redor de um discurso de solidariedade transnacional entre lideranças de direita.

Julgamento histórico e efeitos sobre as Forças Armadas
Além de Bolsonaro, o processo também envolve militares de alta patente acusados de colaborar com a tentativa de ruptura institucional. Caso condenados, será a primeira vez que a Justiça brasileira responsabiliza diretamente integrantes das Forças Armadas por ameaças ao regime democrático desde o fim da ditadura civil-militar (1964–1985).
As penas somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão, embora a legislação brasileira permita progressão antecipada de regime. O julgamento é considerado um divisor de águas na responsabilização de lideranças políticas e militares por atentados à democracia.
No último domingo (1), dezenas de apoiadores do ex-presidente se reuniram em frente à sua residência, em Brasília. Outras manifestações estão previstas para os próximos dias, em um ambiente marcado por tensão e polarização.