A Mastercard bloqueou o cartão de crédito do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o nome do magistrado ser incluído em uma lista de sanções do governo dos Estados Unidos, sob a chamada Lei Magnitsky. O bloqueio segue a política da empresa americana em acatar medidas impostas por Washington. Em resposta, o Banco do Brasil, onde Moraes mantém conta, ofereceu um novo cartão com bandeira nacional: Elo.
Embora aceite no território nacional, o cartão Elo não resolve a limitação internacional, já que, fora do país, depende da rede Discover — também americana e, portanto, sujeita às mesmas sanções.
O cenário restringe o uso de Moraes fora do Brasil, especialmente em transações em moeda estrangeira. A informação foi divulgada pela Coluna do Estadão nesta quinta-feira (21).
Declaração oficial do BB
Durante um evento sobre governança, a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, declarou que a instituição segue rigorosamente a legislação brasileira e as normas internacionais dos mais de 20 países em que mantém operações. “É muita falta de responsabilidade quando algum brasileiro vem colocar em xeque a solidez, a segurança e a integridade de uma empresa como o Banco do Brasil”, afirmou.
Na mesma semana, o ministro Flávio Dino, também do STF, determinou que sanções ou ordens executivas estrangeiras só podem produzir efeitos no Brasil após homologação judicial no país. A decisão gerou hesitação entre bancos brasileiros sobre como lidar com medidas contra Moraes sem ferir a soberania jurídica nacional. Até agora, as restrições se concentram apenas em transações em dólar; as contas em reais seguem ativas.
Pressão americana e riscos à rede bancária
Apesar da blindagem momentânea, é possível que a Casa Branca pressione instituições brasileiras que operem nos EUA ou utilizem as bandeiras Visa e Mastercard — caso da maioria dos grandes bancos do país — a também aderirem à sanção. A situação é sensível, principalmente no caso do Banco do Brasil, que mantém atividades no território norte-americano.
Nesta segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA, por meio do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, publicou mensagem no X (antigo Twitter) reforçando a ofensiva. No texto, o órgão classificou Alexandre de Moraes como “tóxico para todas as empresas legítimas e indivíduos que buscam acesso aos Estados Unidos e seus mercados”.
Com informações do Estado de S. Paulo/