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Moraes recua, descarta prisão preventiva de Bolsonaro e permite entrevistas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a prisão preventiva de Bolsonaro e permite entrevistas.
Alexandre de Moraes durante o julgamento de Bolsonaro (Foto: Fellipe Sampaio/STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta quinta-feira (24) o pedido de conversão das medidas cautelares em prisão preventiva contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão ocorre após a defesa do réu apresentar esclarecimentos sobre o possível descumprimento da proibição de uso de redes sociais — diretas ou por terceiros.

Segundo Moraes, os argumentos apresentados pela equipe jurídica de Bolsonaro e a inexistência de novos episódios indicam que houve uma “irregularidade isolada”. A advertência, no entanto, foi clara: caso haja reincidência, a conversão das medidas em prisão preventiva será imediata.

Por se tratar de irregularidade isolada, sem notícias de outros descumprimentos até o momento, bem como das alegações da Defesa de JAIR MESSIAS BOLSONARO da “ausência de intenção de fazê-lo, tanto que vem observando rigorosamente as regras de recolhimento impostas”, deixo de converter as medidas cautelares em prisão preventiva, advertindo ao réu, entretanto, que, se houver novo descumprimento, a conversão será imediata, nos termos do art. 312, § 1º, do Código de Processo Penal, escreveu o ministro na decisão

Alexandre de Moraes de frente com Jair Bolsonaro (Foto: Antonio Augusto/STF)
Alexandre de Moraes de frente com Jair Bolsonaro (Foto: Antonio Augusto/STF)

Restrições mantidas e esclarecimentos

O despacho desta quinta-feira é uma resposta ao questionamento feito pelo próprio Moraes na segunda-feira (21), quando determinou que os advogados se manifestassem sobre possível violação das medidas cautelares. O foco da investigação é o uso indireto de redes sociais, conduta vedada ao ex-presidente desde decisões anteriores.

Moraes ressaltou que, até o momento, não há indícios de reincidência no descumprimento, tampouco provas de que Bolsonaro tenha burlado as determinações de forma contínua. A defesa alegou ausência de dolo e afirmou que o ex-presidente tem seguido “rigorosamente as regras de recolhimento impostas”.

Entrevistas não estão proibidas

O ministro também esclareceu que as restrições impostas não incluem entrevistas a veículos de comunicação ou discursos públicos, desde que respeitados os horários fixados pelas medidas. A proibição é específica ao uso de redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

Na decisão, Moraes reforçou que não será admitida a utilização de “subterfúgios” que convertam falas públicas em conteúdo pré-fabricado, posteriormente replicado em redes sociais por aliados. O STF entende que esse tipo de prática pode configurar tentativa de instrumentalização das falas para contornar as medidas judiciais.

“Nada impede a realização de entrevistas, pronunciamentos ou discursos públicos […] desde que não sejam utilizados como subterfúgio para posterior reprodução coordenada nas redes sociais.”

Trecho do despacho de Alexandre de Moraes
Trecho do despacho de Alexandre de Moraes

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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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