A filha mais velha do escritor Olavo de Carvalho foi encontrada morta em sua residência em Atibaia, na Região Bragantina, segundo confirmaram pessoas próximas nesta quinta-feira (8). Aos 57 anos, Heloísa de Carvalho vivia sozinha e era conhecida por ter rompido publicamente com o pai em 2017, tornando-se uma das principais vozes críticas ao bolsonarismo e ao legado ideológico de Olavo.
Heloísa adotou um estilo de vida discreto nos últimos anos, mantendo-se ativa em redes sociais e fóruns de militância política. Declarava-se em defesa de pautas progressistas, de esquerda e atuava de forma independente, sem vínculos partidários formais.
Ela deixa um filho. As circunstâncias da morte ainda não foram divulgadas oficialmente.
Desentendimento familiar
Heloísa foi quase como uma antítese do pai. O distanciamento da família teve início quando Olavo assumiu protagonismo político como referência intelectual do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde então, Heloísa passou a se declarar de esquerda, próxima ao PSOL, e engajada no combate ao que chamava de “bolsolavismo”. Embora tenha se filiado ao PT em determinado momento, desfiliou-se após atrito com uma servidora pública ligada ao partido, ainda em Atibaia.
Heloísa era bacharel em direito e relatava ter enfrentado dificuldades financeiras ao longo da vida. Em entrevistas, revelou que chegou a trabalhar como faxineira, em momentos de necessidade, e se manteve afastada dos irmãos. Dizia manter contato apenas com uma cunhada e uma sobrinha, enquanto atribuiu parte das ameaças que sofria a apoiadores do pai.

Ruptura familiar e livro de memórias
Heloísa publicou, em 2021, o livro “Meu Pai, o Guru do Presidente”, onde narra episódios da infância e juventude sob influência direta de Olavo.
No relato, abordava desde vivências numa comunidade islâmica liderada por ele até alegações de violência familiar e abandono. Após o rompimento, também afirmou que, caso recebesse herança do pai, a utilizaria para pagar indenizações judiciais devidas por ele, como no caso vencido por Caetano Veloso. Foi a única dos oito filhos de Olavo excluída formalmente do testamento.
Ao longo dos anos, relatou publicamente ameaças de morte e perseguições judiciais. Em determinado período, disse ter precisado circular com segurança armada e colete à prova de balas, como medida de proteção.
Durante a pandemia de covid-19, voltou a confrontar as posições do pai — especialmente a recusa dele em aderir à vacinação. Ela afirmou que o pai morreu por complicações da doença, versão que foi rechaçada pela família.