O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta terça-feira que o plano golpista articulado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro foi executado em múltiplas frentes, com o objetivo comum de romper com a normalidade democrática e manter o ex-mandatário no poder, mesmo após sua derrota eleitoral.
Segundo ele, a instauração do caos em Brasília — incluindo os ataques registrados após as eleições de 2022 — fazia parte do desenrolar necessário do plano criminoso, e não se tratou de ações isoladas (veja ao vivo).
“Não é preciso pensamento intelectual extraordinário para entender que quando o presidente da República e o ministro da Defesa convocam a cúpula militar para apresentar documento de formalização de golpe de Estado, o processo criminoso já está em curso”, afirmou o procurador.

Ações coordenadas com alvos e armamento
- Entre os elementos citados por Gonet está a execução do chamado Plano Punhal Verde e Amarelo, que, segundo ele, “foi implementado”, com movimentações reais de monitoramento físico do ministro Alexandre de Moraes e aproximações com armamento. Os acusados, de acordo com o procurador, não negam os fatos materiais, mas tentam se desvincular da participação direta nas ações.
- Gonet também indicou que os investigados atuaram de maneira coordenada, ainda que em momentos distintos, com o objetivo convergente de abalar as instituições e reverter o resultado das urnas. “Os atos narrados não são fatos isolados, mas se integram em uma dinâmica comum de ataque à democracia”, reforçou.
Discurso reiterado contra as urnas
- O procurador-geral destacou ainda que os discursos “invariavelmente repetidos” contra o sistema eletrônico de votação extrapolam os limites da liberdade de expressão. Para ele, as manifestações públicas contra as urnas e as instituições visaram corroer a confiança nas eleições e preparar terreno para medidas de exceção.
Difamação contra militares legalistas
- Paulo Gonet também atribuiu ao general Walter Braga Netto a liderança de uma campanha de difamação contra oficiais militares que se opuseram às articulações golpistas. De acordo com o procurador, os ataques buscavam minar a credibilidade de setores das Forças Armadas que resistiram a aderir ao plano de ruptura institucional.
- O parecer do Ministério Público Federal é mais uma peça na consolidação dos elementos que sustentam a denúncia por tentativa de golpe de Estado.