O Brasil obteve 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025, mantendo a 107ª colocação entre os 180 países analisados. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pela Transparência Internacional e confirmam o pior desempenho brasileiro desde o início da série histórica, em 2012.
A nota, que varia de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro), é construída a partir da consolidação de avaliações de entidades como o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial, além da percepção de especialistas sobre o setor público.
- A média global foi de 42 pontos. No topo do ranking, Dinamarca, Finlândia e Singapura se destacaram, com 89, 88 e 84 pontos, respectivamente.
- Na outra ponta, Sudão do Sul, Somália e Venezuela ocupam as últimas posições, todas abaixo de 11 pontos.
Segundo o relatório, o cenário internacional é marcado por uma retração generalizada na ambição e fiscalização de políticas anticorrupção.
“Estamos testemunhando um cenário preocupante de declínio a longo prazo na liderança para combater a corrupção”, afirma o texto. Países historicamente bem avaliados, como Estados Unidos, Reino Unido e Nova Zelândia, também apresentaram queda.
Causas e contexto brasileiro
No caso do Brasil, a avaliação reflete reiteradas crises de macrocorrupção e fragilidades institucionais persistentes, segundo análise da Transparência Internacional.
O diretor-executivo da entidade no país, Bruno Brandão, aponta ao SBTNews que “embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional pela resposta firme do Supremo Tribunal Federal na responsabilização de envolvidos em atentados contra a democracia, o país também chocou o mundo com escândalos de corrupção em escala inédita e episódios de impunidade”.
Entre os fatores que influenciaram negativamente a pontuação estão os descontos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas do INSS e a fraude bilionária no banco Master, ambos citados na publicação paralela Retrospectiva 2025.
Além disso, o documento também identifica o avanço do crime organizado por meio de esquemas de corrupção no sistema financeiro e na advocacia.

Avanços pontuais e críticas à resposta estatal
O relatório destaca medidas recentes que contribuíram para mitigar parcialmente o cenário, como o uso de inteligência financeira no combate ao crime, a responsabilização de lideranças políticas e militares envolvidas nos ataques à democracia, e a decisão do Supremo Tribunal Federal que amplia o controle institucional sobre as emendas parlamentares.
Ainda assim, a entidade pondera que o governo federal reagiu de forma tardia a escândalos de grande escala, especialmente o caso do INSS — um esquema que atravessou diferentes gestões, entre elas os mandatos de Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.