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PL da dosimetria que pode reduzir pena de Bolsonaro é aprovado no Senado

PL da dosimetria: texto amplia progressão de regime para crimes contra a democracia e pode ser questionado no STF
PL da dosimetria que pode reduzir pena de Bolsonaro é aprovado no Senado

Aprovado pelo Senado na noite de quarta-feira (17), o projeto conhecido como PL da Dosimetria, que altera critérios de punição para crimes contra o Estado Democrático de Direito, abre caminho para a redução de pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros réus condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. A proposta segue agora para análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já sinalizou intenção de vetar o texto.

O projeto estabelece novos parâmetros para progressão de regime e permite redução de até dois terços da pena imposta aos condenados por depredação nas invasões às sedes dos Três Poderes, além de prever que o crime de tentativa de golpe absorva o de abolição do Estado em caso de condenação simultânea.

De acordo com cálculos da equipe do relator na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), a mudança permitiria que Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, cumprisse apenas dois anos e quatro meses em regime fechado.

Atualmente, a previsão da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal é de que o ex-presidente possa pedir progressão ao semiaberto somente em abril de 2033, após cumprir 25% da pena no regime fechado. O projeto aprovado, no entanto, reduz esse percentual para 16%, desde que os crimes estejam enquadrados como atentados contra a democracia.

Sergio Moro apresentou emenda ao texto na CCJ
Sergio Moro apresentou emenda ao texto na CCJ (Foto: Jeferson Rudy/Agência Senado)

Tramitação sob contestação

Mesmo antes de chegar ao Palácio do Planalto, a proposta é alvo de ação de parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF), que questionam a regularidade da tramitação no Senado.

Segundo líderes de partidos como PT, PSB, PCdoB e PSOL, houve mudança de mérito disfarçada de emenda de redação, o que exigiria novo envio à Câmara. Também são apontadas possíveis irregularidades nos prazos de deliberação da Comissão de Constituição e Justiça.

Relator da matéria no Senado, o senador Esperidião Amin (PP-SC) alterou o texto para restringir os efeitos da nova progressão de pena apenas aos crimes contra o Estado Democrático de Direito, em resposta às críticas que indicavam risco de generalização indevida da medida a outros crimes comuns.

Sanção, veto e efeitos legais

  • Com a aprovação no Senado, o texto foi enviado à Presidência da República, que terá 15 dias úteis para decidir entre sancionar ou vetar a proposta. Se vetado, o projeto retorna ao Congresso, onde pode ser derrubado por maioria qualificada — 257 deputados e 41 senadores.

  • Independentemente do desfecho no Executivo, o texto poderá ser alvo de ações diretas de inconstitucionalidade no STF, movidas por partidos políticos, entidades de classe, a Procuradoria-Geral da República ou o próprio governo.

  • Caso a Suprema Corte entenda que há afronta à Constituição, a norma poderá ser suspensa ou anulada.

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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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