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STF tem maioria para condenar Bolsonaro e outros réus pelos 5 crimes de golpe

O voto da ministra forma maioria para condenação por crime de organização criminosa, uma das cinco acusações que Bolsonaro e outros réus são acusados.
Defesa de Bolsonaro se posiciona no STF (Foto: Antonio Augusto/STF) julgamento do Bolsonaro

A ministra Cármen Lúcia acompanhou o relator Alexandre de Moraes e reconheceu a existência de organização criminosa, liderada por Jair Bolsonaro, destacando que os crimes imputados aos réus não se esgotam de forma isolada, mas ganham gravidade à medida que se encadeiam em uma trama articulada. No quinto dia de julgamento da Ação Penal que apura tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, a

Dessa forma, o voto da ministra forma maioria para condenação por:

  • Crime de organização criminosa armada;
  • Tentativa violenta de abolição do Estado democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Depredação de patrimônio público tombado;
  • Dano qualificado contra patrimônio da União.

A ministra sustentou que os fatos analisados no processo só alcançam sua dimensão real quando observados em conjunto, e não de forma estanque. “Tudo o que foi demonstrado pelo relator indica que os atos se estendem até o objetivo final”, afirmou.

Para ela, o crime de golpe de Estado não absorve o de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. “A doutrina nos leva a essa compreensão”, pontuou Cármen, ao destacar a “enorme violência” envolvida, tanto nos atos em si quanto em sua dimensão institucional.

Cármen Lúcia rebate Fux, mantém posição sobre competência do STF (Fotos: Rosinei Coutinho/STF)
Cármen Lúcia rebate Fux, mantém posição sobre competência do STF (Fotos: Rosinei Coutinho/STF)

Divergências entre os ministros

Antes do voto da ministra, Moraes e o ministro Flávio Dino já haviam se posicionado pela condenação integral dos réus, em linha com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Ambos confirmaram todos os crimes imputados: tentativa de golpe, tentativa de abolição do Estado de Direito e associação criminosa.

Na contramão, Luiz Fux apresentou um voto extenso em que contestou a própria admissibilidade da ação penal. O ministro alegou incompetência do Supremo Tribunal Federal e da Primeira Turma para julgar o caso e acolheu parte das contestações das defesas. No mérito, votou apenas pela condenação de Walter Braga Netto e Mauro Cid por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, absolvendo-os das demais acusações. Para os outros réus, afastou todos os crimes propostos pela PGR.

Próximos votos

Após o posicionamento de Cármen Lúcia, o próximo a votar será o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma. O resultado do julgamento depende da maioria entre os cinco integrantes do colegiado.

A ação penal julga a conduta de militares e civis acusados de tramar a permanência de Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral de 2022, em um plano que envolveria a convocação de estado de sítio, disseminação de desinformação e uso de estruturas institucionais para subverter o regime constitucional.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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