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The Economist: revista aponta “lição de democracia” sobre o julgamento de Bolsonaro

A revista britânica The Economist traça um paralelo com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente dos EUA Donald Trump.
The Economist: revista aponta "lição de democracia" sobre o julgamento de Bolsonaro (Foto: reprodução)

A imagem do “Viking do Capitólio”, uma das figuras marcantes da invasão ao Capitólio dos Estados Unidos, voltou ao centro do debate internacional após a The Economist traçar um paralelo com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na capa da edição publicada às vésperas do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro aparece caracterizado de forma semelhante, em referência direta a Chansley. A revista intitulou a matéria como “O que o Brasil pode ensinar para a América”.

Jacob Chansley, conhecido como Jake Angeli e apelidado de “Viking do Capitólio” por sua fantasia com pele de urso, chifres e rosto pintado durante a invasão ao Congresso dos Estados Unidos em 2021, foi perdoado por Donald Trump em janeiro de 2025. O indulto coletivo contemplou mais de 1.500 condenados pela tentativa de impedir a posse de Joe Biden.

Na publicação, a revista britânica aponta o Brasil como uma “lição de democracia” para os Estados Unidos. Para o veículo, enquanto o governo Trump promove perdões a extremistas envolvidos em atos antidemocráticos, o Brasil avança em responsabilizações judiciais — ainda que, nas palavras da própria Economist, o suposto golpe de Bolsonaro tenha fracassado mais por “incompetência do que por falta de intenção”.

Segundo a análise, o Brasil se tornou um “caso de teste” para a superação de regimes populistas, citando também os exemplos dos EUA, Reino Unido e Polônia. A revista descreve Bolsonaro como um político “polarizador” e afirma que ele e seus aliados “provavelmente serão considerados culpados” pelo STF.

Capa da revista britânica, The Economist (Foto: reprodução)
Capa da revista britânica, The Economist (Foto: reprodução)

Quem é Jacob Chansley?

Condenado a 41 meses de prisão após acordo judicial, Chansley havia passado parte da pena em regime de isolamento, segundo apuração do El País. Em 2023, foi transferido para um centro de reintegração no Arizona, mas teve a punição encerrada com o perdão presidencial. Ao comemorar a anistia, escreveu em suas redes sociais: “Fui perdoado, bebê. Agora vou comprar umas armas”.

A frase se somou a uma crescente preocupação com o fortalecimento da extrema direita nos EUA, em especial com grupos como os Proud Boys e apoiadores do movimento MAGA (Make America Great Again), lema que sintetiza a ideologia nacionalista promovida por Trump. Chansley, também adepto de teorias conspiratórias do QAnon, dizia que sua fantasia lhe conferia “forças do xamanismo”.

Suas tatuagens, marcadas por símbolos nórdicos, compunham a estética que o tornou ícone das manifestações pró-Trump. Durante a invasão ao Capitólio, ele chegou a ocupar a cadeira da presidência do Senado.

O texto da Economist também menciona que a atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos influenciou o clima de comparação. Durante o governo Trump, foram impostas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sancionada a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes — medida interpretada como aceno ao ex-presidente brasileiro.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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