A convocação de uma “vigília” em frente ao condomínio de Jair Bolsonaro (PL), feita pelo senador Flávio Bolsonaro, foi um dos elementos destacados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para determinar a prisão preventiva do ex-presidente.
A avaliação do magistrado é de que a mobilização poderia ser usada para dificultar a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar pelas polícias, criando um cenário de “altíssimo risco para a efetividade da lei penal” e facilitando uma eventual fuga.
Moraes afirmou que o vídeo publicado por Flávio — no qual ele convoca apoiadores para uma corrente de orações em frente à casa do pai — repete ataques ao Poder Judiciário, especialmente ao STF, reproduzindo a “narrativa falsa” de que Bolsonaro teria sido condenado por perseguição política ou por uma suposta “ditadura” da Corte. Para o ministro, a ação revela o mesmo modus operandi atribuído à organização criminosa investigada, que utilizaria manifestações populares como instrumento para buscar vantagens pessoais.

A vigília anunciada por Flávio Bolsonaro
No vídeo divulgado na manhã de sexta-feira (21), o senador chama apoiadores para uma vigília “pela saúde” de Jair Bolsonaro, que ocorreria diante do condomínio onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. Moraes afirmou que, sob aparência de ato pacífico, a convocação poderia servir para pressionar autoridades, tumultuar o cumprimento das medidas impostas e reativar mobilizações já vistas em outras investigações.
Vamos invocar o Senhor dos Exércitos!
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) November 21, 2025
A oração é a verdadeira armadura do cristão. É por meio dela que vamos vencer as injustiças, as lutas e todas as perseguições. Tenho um convite especial para você: assista ao vídeo até o final!
VIGÍLIA PELA SAÚDE DE BOLSONARO E PELA… pic.twitter.com/cYeWu7WG6p
Defesa fala em “perplexidade” e questiona fundamentos da prisão
Após a detenção, um advogado e uma médica visitaram Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e deixaram o prédio sem dar declarações. Em nota, a defesa do ex-presidente classificou a decisão como motivo de “perplexidade”, afirmando que Moraes teria baseado a prisão em uma “vigília de orações”.
Os advogados sustentam que Bolsonaro estava “com tornozeleira eletrônica” e sendo monitorado regularmente, contestando a existência de “gravíssimos indícios de eventual fuga”.
A defesa também afirma que o estado de saúde do ex-presidente é “delicado”, alegando que a prisão pode colocar sua vida em risco. A equipe jurídica informou que irá apresentar recurso contra a decisão.