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Vídeo do filho complicou a vida de Jair Bolsonaro, preso pela PF

Moraes citou risco elevado de fuga, tentativa de obstrução das medidas cautelares e repetição de narrativas falsas contra o Judiciário
Retrato de Flávio Bolsonaro em foto jornalística, em contexto de notícia sobre a UFRJ que nega pós-graduação citada em sites oficiais.

A convocação de uma “vigília” em frente ao condomínio de Jair Bolsonaro (PL), feita pelo senador Flávio Bolsonaro, foi um dos elementos destacados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para determinar a prisão preventiva do ex-presidente.

A avaliação do magistrado é de que a mobilização poderia ser usada para dificultar a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar pelas polícias, criando um cenário de “altíssimo risco para a efetividade da lei penal” e facilitando uma eventual fuga.

Moraes afirmou que o vídeo publicado por Flávio — no qual ele convoca apoiadores para uma corrente de orações em frente à casa do pai — repete ataques ao Poder Judiciário, especialmente ao STF, reproduzindo a “narrativa falsa” de que Bolsonaro teria sido condenado por perseguição política ou por uma suposta “ditadura” da Corte. Para o ministro, a ação revela o mesmo modus operandi atribuído à organização criminosa investigada, que utilizaria manifestações populares como instrumento para buscar vantagens pessoais.

Julgamento de Bolsonaro prossegue nesta quarta-feira (03), com a defesa do ex-presidente (Foto: Gustavo Moreno/STF)
Julgamento de Bolsonaro, com a defesa do ex-presidente (Foto: Gustavo Moreno/STF)

A vigília anunciada por Flávio Bolsonaro

No vídeo divulgado na manhã de sexta-feira (21), o senador chama apoiadores para uma vigília “pela saúde” de Jair Bolsonaro, que ocorreria diante do condomínio onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. Moraes afirmou que, sob aparência de ato pacífico, a convocação poderia servir para pressionar autoridades, tumultuar o cumprimento das medidas impostas e reativar mobilizações já vistas em outras investigações.

Defesa fala em “perplexidade” e questiona fundamentos da prisão

Após a detenção, um advogado e uma médica visitaram Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e deixaram o prédio sem dar declarações. Em nota, a defesa do ex-presidente classificou a decisão como motivo de “perplexidade”, afirmando que Moraes teria baseado a prisão em uma “vigília de orações”.

Os advogados sustentam que Bolsonaro estava “com tornozeleira eletrônica” e sendo monitorado regularmente, contestando a existência de “gravíssimos indícios de eventual fuga”.

A defesa também afirma que o estado de saúde do ex-presidente é “delicado”, alegando que a prisão pode colocar sua vida em risco. A equipe jurídica informou que irá apresentar recurso contra a decisão.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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