O ano de 2025 está prestes a acabar. Praticamente todos nós já fizemos as nossas listas dos acontecimentos e experiências que vivemos, e as lições que tiramos de cada uma delas. Até aqui, nada de novo.
Para alguns, foi um ano de lições aprendidas pela dor; já para tantos outros, pelo amor, felizmente. Para mim, esse ano foi um ano de observação e desistência. Observei atento meus familiares, amigos, clientes e, por fim, meus pares na vida. Uma tarefa nada fácil e, muitas vezes, assustadora.
Com avaliações e métricas nem sempre justas e imparciais, minhas observações sobre esse ano seguem nesse pequeno espaço. Espero que as decepções havidas se revertam em alegria no próximo ano, e que os momentos de alegria se multipliquem ainda mais.

Esse ano, continuei a ver muita gente implorando pela aceitação alheia, com seus posts e stories no Instagram, como se a quantidade de likes fosse capaz de validar a existência de seus protagonistas. Triste, mas real.
Com estranheza tentei compreender como alguns puderam celebrar a vida, enquanto muitos dos seus lutavam contra os reveses da saúde e da idade, e em condições nada promissoras.
Se a opção pela exposição imatura no Instagram era uma realidade, não faltaram críticas pessoais desabonadoras para muitos deles. Enfim, nem todo segundo de “sucesso” vale a pena.
Comprovei, tristemente, a falta de empatia e de repertório de alguns. Afinal, empatia é uma questão de aprimoramento da alma e da vontade de partilhar e, repertório se constrói com as experiências que a vida lhe oferece. E nem todos estão dispostos a fazer a lição de casa.
Por outro lado, constatar o desprendimento e a generosidade de alguns em ajudar o próximo, sem alarde ou interesse, foi uma alegria sem fim e uma lição extraordinária.
Mensagens aleatórias só para saber se você está bem ou que a saudade apertou quando alguém ouviu uma música ou viu um filme que você gostava, foram algumas das delicadezas que fizeram toda a diferença.

Em tempos difíceis como os que estamos vivendo, onde o egoísmo é a cereja do bolo, esperar que alguns percebam a importância de pequenos gestos parece ser uma missão quase impossível.
Se a decepção é o resultado da falta de ajustamento de expectativas em relação ao outro, melhor mesmo é sair de cena de consciência limpa e preservando o afeto que um dia existiu.
Tentar fazer o outro mais feliz é, sem sombra de dúvidas, um ato de amor; assim como desistir de algumas delas, ao longo da vida, também o é.
Foi assim que desisti de algumas pessoas esse ano. Não que o amor por elas tenha acabado, muito pelo contrário, o amor está registrado no tempo, e numa época específica, e fará sempre parte da minha história e memória.
Mas o afeto é uma via de mão dupla e engana-se quem pensa que um oceano pode interferir nesse sentimento. Entre as lições aprendidas esse ano, a de sair de cena e deixar o fluxo do rio correr sem expectativas foi a mais importante.

Hoje minha energia e meu afeto estão dedicados àqueles que percebem o outro e sabem que podem fazer a diferença. Não há mais espaço para desculpas ou procrastinações desnecessárias.
Como diz o ditado: “Quem cuida do outro, cuida de si mesmo. Que haja sempre mais amor, paz e sabedoria. Que assim seja.”