O músico e produtor Rafael Labate, de 35 anos, morador de Praia Grande, na Baixada Santista, ganhou um concurso global de música e teve o trabalho escolhido pelo artista americano Cory Henry, vencedor de cinco prêmios Grammy. O resultado foi divulgado na semana passada, nas redes sociais do projeto Jam Sessions 2025, organizado pela plataforma Moises.
Segundo a plataforma musical, a disputa convidou criadores de todo o mundo a reinventarem a inédita “Dance”, disponibilizada com stems originais [faixas separadas para edição da música] para total liberdade criativa. Participantes puderam optar por covers ou remixes, explorando novas sonoridades e identidades artísticas a partir do material original.
Em nota, a Moises ressaltou que foram centenas de envios vindos de diferentes países, reunindo uma grande diversidade de estilos e abordagens musicais. Contudo, após um processo criterioso de seleção, o praia-grandense Rafael Labate foi escolhido como vencedor na categoria de remix, se destacando entre produções de artistas de vários continentes.
Seleção internacional e rigorosa
Conforme apurado pelo VTV News, a escolha dos vencedores envolveu um painel formado por estudantes e professores da Berklee College of Music, convidados da indústria musical, a equipe editorial da Moises e o próprio Cory Henry. A etapa final aconteceu em Paris, no estúdio Mix with the Masters, durante uma sessão exclusiva de audição.
No local, Cory Henry ouviu atentamente as faixas enviadas por criadores do mundo todo. Durante o processo, o artista analisou texturas, escolhas criativas e a forma como cada participante reinterpretou a música original, antes de definir os finalistas e o vencedor. O projeto contou ainda com apoio de marcas como Ableton, Fender e Blackstar Amps.
Reconhecimento global
No remix escolhido, Rafael preservou a alma do arranjo original de Cory Henry, mas reconstruiu a faixa com personalidade própria utilizando elementos do reggae, um de seus gêneros musicais favoritos. A musicalidade, a coragem de experimentar e a visão artística foram apontadas como diferenciais que levaram sua versão ao topo da competição.
Com a vitória, o artista do litoral de São Paulo terá a música lançada oficialmente como um feat [colaboração] com Cory Henry, além de garantir 50% dos royalties [direitos] da faixa. O prêmio inclui ainda troféu, valor em dinheiro e uma aparição em painel na Times Square, em Nova York. Nas imagens acima, é possível vê-lo no telão nova-iorquino.
“Eu vejo isso como uma vitória para a música reggae como um todo. É um gênero muitas vezes marginalizado, mas com letras fortes e que falam de desigualdade e injustiça. Poder representar essa cena e ganhar um prêmio desse tamanho mostra que a vitória não é só minha, mas de todo mundo que batalha para o reggae chegar mais longe”, afirmou Rafael.

Impacto na música brasileira
Além do vencedor, a edição 2025 do Jam Sessions destacou quatro finalistas de diferentes partes do mundo – entre eles, Helena Cruz, de São Paulo. A organização destacou que cada finalista apresentou uma releitura única de “Dance”, elevando o nível artístico da competição e demonstrando a força criativa da comunidade internacional de artistas independentes.
Para Rafael Labate, a conquista representa não apenas um marco pessoal, mas também um reconhecimento internacional para a música produzida no litoral paulista. Artista ligado ao reggae e à cena independente, ele agora passa a integrar um projeto global ao lado de um dos nomes mais respeitados da música contemporânea.

Quem é Rafael Labate?
Autodidata, Labate atua profissionalmente na música desde 2005 como multi-instrumentista, arranjador e produtor musical. Segundo ele, a relação com bandas começou cedo e, ao longo da trajetória, construiu uma carreira sólida, marcada pela versatilidade, pela sensibilidade artística e pela forte presença no reggae e em suas vertentes contemporâneas.
Ao longo dos anos, foi convidado a integrar e colaborar com projetos de grandes nomes da música brasileira, como Tribo de Jah, RZO, Alma Djem, Alexandre Carlo (Natiruts), Seu Jorge, Cynthia Luz e Filosofia Reggae, além de artistas internacionais ligados à cena jamaicana e global. Paralelamente, também se destacou como produtor e beatmaker nacional.
Seu trabalho já foi reconhecido por nomes como Marcelo D2 e Rogério Flausino, e hoje atua na formação de novos músicos, compartilhando experiência, apuro técnico e cuidado estético nas produções. Confira um pouco mais do trabalho dele: