Quem nunca abriu um streaming em busca de uma nova série e, diante de tantas opções, acabou assistindo a nada? Esse cenário de excesso começa a mudar. A quantidade de conteúdos originais nas plataformas vem diminuindo com o fim da chamada “Peak TV”, período marcado pelo maior volume de produções próprias do streaming.
O novo relatório de 2025 da Luminate, empresa especializada em dados do setor de entretenimento, traz números que reforçam o fim da chamada “era de ouro” da TV. Ainda no ano passado, o número de séries disponíveis nas plataformas de streaming caiu 11% em relação a 2024, chegando a 584 produções. A queda se torna ainda mais evidente quando comparada a 2022, considerado o último ano de auge dos lançamentos.
Mesmo investindo cerca de US$ 17 bilhões anualmente em conteúdo, a Netflix é um dos principais exemplos dessa mudança de mentalidade. O valor investido se manteve estável, mas deixou de acompanhar o crescimento da receita da empresa.

Apesar de parecer o contrário, desde 2022 os conteúdos originais dos streamings vêm diminuindo gradativamente, o que aponta para um novo cenário estratégico adotado pelas plataformas.
A Netflix ilustra bem esse movimento. Embora mantenha investimentos elevado, cerca de US$ 17 bilhões por ano em conteúdo, o ritmo não acompanha mais a expansão da receita. Em 2021, a empresa investia aproximadamente US$ 0,60 para cada dólar faturado; em 2025, essa proporção caiu para US$ 0,38, priorizando a ampliação das margens de lucro e a entrega de resultados aos acionistas.
Vale ressaltar que a intensa competição entre plataformas como Netflix, Amazon Prime Video, Hulu, Disney+ e Apple TV+ também contribuiu para a reavaliação das estratégias econômicas dos conglomerados do entretenimento, que passaram a buscar novos caminhos para manter a sustentabilidade do setor.
Mas para onde, afinal, os streamings estão mirando?
Nos últimos anos, os serviços de streaming vêm redirecionando gradativamente parte de seus orçamentos de conteúdo original para produções de maior custo, porém com maior potencial publicitário, como os esportes ao vivo. Com isso, o espectador permanece conectado por mais tempo, sem que seja necessário investir milhões em novas criações. A fidelidade ao esporte é mais previsível, reduzindo os riscos de não engajamento comuns a filmes e séries inéditas.
Com transmissões de NBA, Campeonato Brasileiro e conteúdos do Premiere e da ESPN na programação, Prime Video e Disney+ utilizam o esporte ao vivo como fonte de fidelização, enquanto a Netflix aposta em eventos pontuais.
A nova estratégia já está em acontecendo e passa a integrar o cotidiano do espectador. Mas se engana quem pensa que as produções originais estejam fadadas ao declínio, pois mesmo com o fim do período de auge, o setor deve manter um fluxo elevado de crescimento e pode alcançar mais de US$ 400 bilhões até 2030, impulsionado também por produções próprias.