A escritora e artista plástica Dona Jacira, mãe de Emicida e Fióti, morreu nesta segunda-feira (28) em São Paulo, aos 60 anos. A equipe de imprensa de Fióti confirmou a informação. Ela enfrentava complicações de saúde por conta do lúpus e fazia hemodiálise há mais de 25 anos. A família ainda não divulgou a causa da morte.
Mãe de Emicida e Fióti
Conhecida por sua trajetória marcada pela força, arte e resistência, ela construiu um legado de luta e arte. Nascida e criada na Zona Norte da capital paulista, viveu uma infância difícil, casou-se aos 13 anos e criou sozinha os quatro filhos após a separação.
Mesmo enfrentando limitações de saúde, Dona Jacira se formou técnica em enfermagem, participou de movimentos sociais e atuou como colunista no portal UOL. Em 2019, lançou a autobiografia Café, onde compartilhou vivências de dor, superação e amor pela cultura periférica.
Presença forte na vida dos filhos e da cultura afrobrasileira
Além de mãe, avó, poeta e artesã, Dona Jacira se tornou referência por valorizar as raízes negras e populares. Emicida homenageou a mãe na música ‘Mãe’ e a incluiu no clipe. A família destacou que seu legado “será levado adiante por todas as pessoas impactadas por sua presença de amor, luz e fé neste plano”.
Em um post nas redes sociais, Fioti declarou “Durante meus 35 anos de vida, não me lembro um dia em que não tenha refletido em qualquer desafio que fosse a gratidão por ter a mãe que tenho.”
Referência na literatura periférica
A autobiografia Café, publicada pela editora LiteraRUA, consolidou a voz de Dona Jacira na literatura nacional. O livro aborda desde episódios de violência doméstica até sua trajetória de empoderamento como mulher negra da periferia. A obra virou referência na cultura afrobrasileira e segue influenciando gerações.