A família da cantora Preta Gil, falecida no ano passado vítima de um câncer colorretal, continua com um processo contra o padre Danilo Cesar, da paróquia de Areial, no Agreste da Paraíba. A ação ocorre após o pároco proferir falas de intolerância religiosa durante uma missa transmitida ao vivo. O processo por danos morais tramita na esfera cível e pede uma indenização de R$ 370 mil.
Na ocasião, o sacerdote atacou a religião da cantora e de seus familiares, questionando: “Gilberto Gil fez uma oração aos orixás. Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”.
Acordo para evitar julgamento criminal
Para evitar um julgamento na esfera criminal, após denúncia de uma associação cultural afro-brasileira local, o padre firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) em fevereiro deste ano. O dispositivo jurídico encerra a ação penal mediante o cumprimento de medidas educativas e financeiras:
- Multa: Pagamento de aproximadamente R$ 5 mil a uma entidade afrodescendente.
- Capacitação: Cumprimento de 60 horas de cursos sobre o combate à intolerância religiosa.
- Produção de texto: Escrita à mão de resenhas de livros e documentários sobre racismo e cultura afro-brasileira, com entrega prevista para junho.
O acordo também exigiu a participação do sacerdote em um ato inter-religioso com a presença de familiares de Gilberto Gil. Embora tenha comparecido ao evento no dia 6 de fevereiro, o religioso optou por manter silêncio absoluto durante toda a cerimônia.