Com a chegada do Dia dos Namorados e o clima romântico tomando conta das redes sociais, muitos casais começam a refletir sobre a própria relação. Enquanto alguns aproveitam a data para fortalecer a conexão, outros sentem que o relacionamento já não tem mais o mesmo entusiasmo do começo.
A rotina corrida, a falta de diálogo e o distanciamento emocional podem levar relações longas ao “modo automático”. Mas isso não significa, necessariamente, falta de amor.
Para a terapeuta especialista em relacionamentos e sexualidade Margareth Signorelli, em entrevista à VTV News, relacionamentos longos passam naturalmente por mudanças de intensidade. O problema começa quando o casal deixa de alimentar a admiração, a curiosidade e a comunicação no dia a dia.
Como perceber que o relacionamento entrou no automático?
Nem sempre um relacionamento entra em crise de forma explosiva. Em muitos casos, o desgaste aparece de maneira silenciosa, no meio da correria do dia a dia. O casal continua junto, conversa sobre tarefas da rotina e mantém a convivência normalmente, mas a conexão emocional começa a perder espaço.
A relação deixa de ter novidade, curiosidade e presença. Aos poucos, os momentos juntos parecem mais repetitivos, as conversas ficam superficiais e o casal passa a funcionar quase no “piloto automático”.
Segundo Margareth Signorelli, um dos primeiros sinais aparece quando necessidades emocionais importantes deixam de ser preenchidas dentro da relação.
“Se você não souber o que é essencial para você, como vai perceber o que está faltando?”, afirma.
Ela explica que cada pessoa valoriza coisas diferentes dentro de um relacionamento. Algumas precisam de mais tempo de qualidade, outras sentem falta de diálogo, escuta, toque físico ou até de um simples compromisso semanal a dois.
Quando essas necessidades deixam de ser atendidas por muito tempo, a relação pode começar a perder leveza e conexão.

A admiração tem relação direta com o amor
Em muitos relacionamentos longos, a admiração vai desaparecendo de forma silenciosa. O casal continua junto, mas perde aquela sensação de encantamento que existia no começo da relação. Pequenas qualidades deixam de ser percebidas e o olhar sobre o parceiro passa a ficar mais automático e menos atento.
Com o tempo, isso pode impactar diretamente a conexão emocional entre os dois. Afinal, relacionamentos também precisam de interesse, reconhecimento e vontade de continuar enxergando valor na outra pessoa.
Segundo a terapeuta Margareth Signorelli, a admiração está ligada justamente às características que despertaram o amor no início do relacionamento.
Pode ser o jeito da pessoa, sua ambição, sua leveza, seu cuidado consigo mesma, sua forma de tratar os outros ou até seus sonhos e objetivos de vida.
“As pessoas mudam e o que mantinha o brilho nos olhos do outro pode deixar de existir”, explica.
A especialista afirma que muitos casais entram no automático quando deixam de investir em si mesmos e na própria evolução pessoal.
Segundo ela, isso não significa necessariamente que o amor acabou, mas que a relação deixou de receber atenção emocional no dia a dia.
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Muitos casais param de descobrir quem o outro se tornou
No começo de um relacionamento, existe curiosidade. O casal quer conversar, descobrir gostos, opiniões, sonhos e até pequenos detalhes sobre a vida um do outro. Com o passar dos anos, porém, muitos casais passam a agir como se já soubessem tudo sobre o parceiro.
E é justamente aí que a conexão pode começar a enfraquecer. Quando não existe mais troca verdadeira, o relacionamento perde profundidade e cai na repetição da rotina.
Segundo Margareth Signorelli, muitas pessoas acreditam que, depois de conquistar a relação, não precisam mais investir tempo e energia para manter o vínculo saudável.
“Relacionamento é um investimento de tempo e energia tanto quanto uma empresa”, compara.
Ela explica que as pessoas mudam constantemente ao longo da vida. Novos pensamentos, inseguranças, desejos e objetivos aparecem com o tempo.
Por isso, voltar a fazer perguntas, conversar de verdade e demonstrar curiosidade pelo parceiro pode ajudar a reconstruir a proximidade emocional dentro da relação.

Pequenas atitudes podem trazer “luz” de volta ao relacionamento
Ao contrário do que muita gente imagina, reconectar um relacionamento não depende apenas de grandes surpresas ou momentos românticos. Em muitos casos, pequenas atitudes do cotidiano fazem mais diferença do que gestos grandiosos.
Demonstrações simples de interesse, carinho e presença ajudam o casal a sair do automático e voltar a criar conexão emocional no dia a dia.
Segundo a terapeuta, algumas atitudes podem fortalecer novamente a relação:
- Agradecer pequenas atitudes do parceiro;
- Voltar a fazer perguntas genuínas;
- Elogiar mais;
- Retomar o toque físico no cotidiano;
- Demonstrar curiosidade sobre o outro.
Margareth destaca principalmente a importância do toque não sexual dentro da relação. Pequenos gestos de carinho ajudam a manter proximidade emocional e reforçam a sensação de parceria.
Como reacender a chama da paixão em um relacionamento longo?
Muitas pessoas entram em relacionamentos longos esperando sentir para sempre a mesma intensidade emocional do começo. A expectativa de viver constantemente aquele frio na barriga, a ansiedade das primeiras conversas e a sensação intensa da paixão acaba gerando frustração quando a relação amadurece.
“A chama da paixão só é acesa na paixão. Quando se torna amor, ela muda de intensidade”, afirma a terapeuta.
Ou seja, a paixão e o amor funcionam de formas diferentes dentro de um relacionamento. Enquanto a paixão costuma ser intensa, impulsiva e cheia de novidade, o amor tende a criar conexão, parceria, intimidade e segurança emocional ao longo do tempo.
Para a especialista, relacionamentos duradouros não dependem de viver constantemente emoções intensas, mas de construir presença, admiração e conexão ao longo do tempo.
“Procure admirar as qualidades do outro, se comunicar abertamente com quem te ama e ser curioso sobre quem a pessoa se tornou todos os dias. Caso contrário, irão se perder pelo caminho e quando olharem um para o outro, não se conhecem mais e não sabem onde se perderam.” finaliza.