Se o Carnaval no Brasil vai saindo de cena vagarosamente, mas com ainda alguns blocos e escolas de samba a comemorar suas classificações como melhor bloco ou escola de samba do ano, a coluna Em Terras Lusas retoma o seu ritmo habitual e volta à cena, mas caminhando, ou melhor, a caminhar.
Digo isso porque o tema da coluna dessa semana fala de dois portugueses que, além de suas profissões habituais, dedicam parte do seu tempo livre a projetos de turismo, e que têm como foco principal caminhar ou correr por lugares pouco conhecidos ou insólitos de Portugal.
Extreme Walkers
O primeiro projeto, o Extreme Walkers (@extremewalkers2024), nasceu da paixão de seu fundador, o professor de educação física, Filipe Cordeiro, que utiliza o tempo vago que lhe sobra para fazer trilhas pelo país.
Nascido em Pombal, prestou serviço militar no Porto, e logo mudou-se para a cidade nortenha para dar aulas e fazer de seu propósito de vida, o seu ganha-pão. Com uma clientela estabilizada e uma agenda cheia, é comum deparar-se com ele e seus alunos no Parque da Cidade ou pelas ruas da cidade do Porto, sempre a exercitar-se.
Filipe sempre teve predileção por trilhas, e sua paixão não passou desapercebida por seus alunos e amigos, que sempre lhe pediram para fazê-las em grupo. Foi com o incentivo e o desejo de seus pares que o atleta decidiu monetizar o hobby e criou, em abril de 2024, a Extreme Walkers.
A aventura começa pela escolha de uma trilha, via Instagram, e aguarda-se a adesão dos adictos pelo esporte. Com o grupo formado e as datas confirmadas, o próximo passo é desbravar o Norte (e o centro) do país, o que acontece, normalmente, aos fins de semana.
O preço médio do programa é de 20 euros por pessoa. Os grupos variam de 15 a 25 pessoas e o tempo da trilha varia de 3 a 5 horas. Uma experiência única e com vistas de tirar o fôlego.
Porto Runing Tours
O segundo projeto é a Porto Runing Tours (@portorunningtours). Quem corre de verdade não deixa de correr mesmo quando está em viagem. E foi pensando nesse segmento que, em 2015, nasceu a PRT, como é mais conhecida, aliando oesporte e o turismo.
Com tours pré-estabelecidos, os turistas escolhem um deles, e decidem se desejam correr no coração da cidade ou às margens do Douro. O projeto é conduzido por corredores-guias que levam seus grupos pelos principais pontos turísticos da cidade.
Paulo Fernandes é um dos corredores – guia que fala com entusiasmo sobre o projeto. Quem o conhece pessoalmente sabe que ele é um corredor sério e que seu entusiasmo pela corrida e pela cidade do Porto ultrapassam as mais altas expectativas.
Ou seja, um “match” perfeito que inclui conhecimento histórico e uma adequação ao “pace” do grupo de turistas envolvidos.
Com experiências em maratonas pelo mundo, Paulo conta-nos que os interessados podem escolher o tour pelo site ou pelo WhatsApp da empresa e com antecedência de 48 horas.
Diz, ainda, que a língua oficial durante o percurso é o inglês, mas os turistas querem aprender muitas das expressões portuenses, o que Paulo faz com gosto.
Mas há surpresas que não têm preço, como paradas em locais inusitados que nem mesmo os próprios portuenses conhecem. Paulo as conhece bem, em especial uma padaria tipicamente nortenha na beira do Rio Douro que é a “estrela” de seus tours. Um endereço guardado a sete chaves que somente os participantes do seu grupo têm acesso.
Os preços variam de 45 euros para uma pessoa ou 60 euros se forem duas, e o percurso pode durar até 2 horas. Se caminhar é preciso, correr também é.
Quem se aventura?