A Hyundai Mobis informou na última sexta-feira (13) que exames laboratoriais realizados em amostras de água coletadas nos bebedouros e torneiras da unidade de Piracicaba identificaram “ausência de cloro residual”, condição que pode reduzir a proteção sanitária e elevar o risco de contaminação.
Os laudos foram solicitados após 152 funcionários apresentarem sintomas de mal-estar no dia 19 de janeiro, depois de consumirem água e alimentos no refeitório da fábrica. Desde 16 de janeiro, segundo nota da empresa, os colaboradores que relataram sintomas passaram a ser acompanhados individualmente.
O caso também foi monitorado pela Vigilância Sanitária e pela Prefeitura de Piracicaba, em atuação conjunta voltada à apuração do ocorrido e à recuperação dos trabalhadores. Em 3 de fevereiro, todos já haviam retornado às atividades.
Análise da água
De acordo com a fabricante de autopeças, toda a água utilizada no preparo de alimentos e no consumo humano na planta industrial é proveniente exclusivamente da rede pública de abastecimento, sem captação de poços artesianos ou fontes alternativas.

O laudo técnico referente à coleta realizada em 19 de janeiro apontou a ausência de cloro residual. Diante da constatação, a empresa informou que adotou medidas corretivas imediatas para o tratamento da água. Nova amostra coletada em 26 de janeiro indicou que a água estava própria para consumo humano e em conformidade com os padrões exigidos.
Como reforço adicional à segurança hídrica, a Hyundai Mobis anunciou as seguintes medidas complementares:
- Substituição do bebedouro por modelo equipado com filtro de maior capacidade de purificação;
- Aumento da frequência das análises laboratoriais da água;
- Implantação de bomba dosadora automática de cloro para garantir dosagem contínua;
- Aquisição de colorímetro digital para monitoramento em tempo real do teor de cloro.
Análise dos alimentos
A empresa informou que, após avaliação conduzida pela Sodexo, responsável pelo restaurante da unidade, apenas os alimentos que tiveram contato com a água — como saladas e legumes crus — foram considerados fora do padrão normativo. Segundo a nota, essa constatação afasta a comida como origem do problema.
A Hyundai Mobis declarou que a unidade de Piracicaba permaneceu em operação normal durante todo o período, sem impacto na produção de peças ou no cronograma de fornecimento à linha de montagem da Hyundai Motor Brasil.

Posicionamento do Semae
Em resposta, o Serviço Municipal de Água e Esgoto de Piracicaba (Semae) informou que a água tratada e distribuída no município atende às diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde. A autarquia afirmou que os laudos da Estação de Tratamento de Água (ETA) Capim Fino, que abastece a região do Parque Automotivo, indicam conformidade nos parâmetros até o ponto de entrega no cavalete da empresa.
O Semae também declarou que não houve registro de reclamações sobre a qualidade da água no Parque Automotivo ou em outras áreas da cidade.
A ETA Capim Fino opera de forma contínua, com vazão média de 1.600 litros por segundo, atendendo aproximadamente 75% da população de Piracicaba, utilizando o cloro como agente desinfetante para inativação de microrganismos patogênicos.