A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (4), a fabricação em solo brasileiro da vacina IXCHIQ, imunizante contra a Chikungunya desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. Com a decisão, a versão nacional está oficialmente liberada para uso e poderá ser integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O imunizante é indicado para a prevenção da doença em adultos de 18 a 59 anos que residam ou frequentem áreas com alto risco de exposição ao vírus. Embora a vacina já tivesse sido aprovada pela agência em abril de 2025 — com produção inicial concentrada nas fábricas da Valneva —, a nova resolução oficializa o Instituto Butantan como local de fabricação.
Na prática, o órgão brasileiro poderá realizar etapas do processo produtivo, como formulação e envase, mantendo o rigoroso padrão de qualidade internacional.
Primeira do mundo
A IXCHIQ foi a primeira vacina registrada contra a Chikungunya em âmbito global. Por ser uma vacina de vírus atenuado, o imunizante possui contraindicações específicas: não deve ser aplicado em gestantes, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas. A produção nacional é vista como um passo estratégico para facilitar o fornecimento da dose em larga escala pela rede pública de saúde.
Cenário da doença
Transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti — o mesmo vetor da dengue e do zika —, a Chikungunya tornou-se uma preocupação crescente de saúde pública. Presente no Brasil desde 2014, o vírus hoje circula em todos os estados da federação.
O impacto da arbovirose tem sido severo nos últimos anos. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), cerca de 620 mil pessoas foram acometidas pela doença globalmente apenas em 2025. No Brasil, o Ministério da Saúde notificou mais de 127 mil casos no mesmo período, resultando em 125 óbitos confirmados.