Com a chegada do outono, a queda de temperatura e o ar seco tornam-se gatilhos imediatos para crises alérgicas e quadros infecciosos em crianças. Esse contexto fragiliza o sistema imunológico infantil e facilita a entrada de agentes causadores de doenças respiratórias, exigindo que a proteção seja reforçada com ajustes simples na rotina doméstica e nos cuidados de higiene.
Segundo o Dr. Gabriel Franceschi Marchiori, pediatra do Laboratório Franceschi, o frio atua como um agente agressor direto.
“As baixas temperaturas reduzem a mobilidade dos cílios das vias aéreas, que são responsáveis por expulsar impurezas e vírus. Aliado ao confinamento em locais fechados para fugir do vento, o ambiente torna-se ideal para a proliferação de ácaros e a rápida transmissão de doenças”, analisa o especialista, que recomenda as seguintes medidas práticas para fortalecer a barreira biológica das crianças e manter a casa livre de agentes irritantes:
Realize a lavagem nasal com soro em abundância
Utilize seringas ou dispositivos de fluxo contínuo para limpar as vias aéreas de forma eficaz, removendo alérgenos, poeira e poluição. No outono, apenas algumas gotas de soro não são suficientes, dessa forma, o ideal é usar um volume maior para garantir que a mucosa fique bem hidratada e livre de agentes irritantes.
Lave o enxoval de inverno com antecedência
Antes de usar as roupas quentes, lave e coloque ao sol blusas de lã, mantas e casacos que ficaram guardados durante o verão. Essas peças acumulam ácaros e fungos, que podem desencadear crises de rinite e asma assim que entram em contato com a criança.
Controle a umidade do ambiente com cautela
O uso umidificador de ar deve ser feito com moderação, assim, ligue cerca de duas horas antes da criança dormir e desligue na hora de deitar. Isso porque o excesso de umidade pode favorecer o surgimento de mofo. Caso você não tenha um umidificador, uma alternativa simples é usar toalhas úmidas ou bacias com água no quarto, que também ajudam a manter o ar mais confortável sem exageros.
Mantenha a ventilação cruzada na residência
Abra as janelas de lados opostos da casa por pelo menos 20 minutos todos os dias, mesmo em datas mais frescas. Segundo o Dr. Gabriel, a crença de que proteger a criança exige mantê-la em um ambiente lacrado é um erro, pois o ar parado e viciado é mais prejudicial para o alérgico do que a circulação de ar em um ambiente arejado.
Busque o diagnóstico preciso com exames laboratoriais
Não espere que as crises se tornem recorrentes para investigar a causa. Exames de sangue, como o IgE Múltiplo ou o Painel de Alérgenos, são fundamentais para identificar se a reação é causada por ácaros, fungos, pelos de animais ou polens.
De acordo com o pediatra, entender o perfil alérgico da criança permite um tratamento personalizado e evita o uso desnecessário de medicamentos. “Muitas vezes, os pais tratam um resfriado comum quando, na verdade, a criança está sofrendo uma reação alérgica persistente que poderia ser controlada com a identificação correta do agente causador”, finaliza.