O Setembro Verde ganha destaque em Americana neste mês de setembro com ações do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi sobre a doação de córneas. A iniciativa amplia as informações sobre o processo e orienta familiares sobre os procedimentos adotados após o falecimento.
Hospital Municipal já realizou cerca de 50 captações
O Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi já realizou cerca de 50 captações de córneas em 2026. O trabalho ocorre em parceria com o Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).
Após a autorização familiar, a equipe responsável realiza a retirada do tecido. Em seguida, as córneas seguem para o BOS, que faz a preservação e os procedimentos necessários.
O banco também comunica a Central de Transplantes do Estado de São Paulo. A distribuição considera os critérios estabelecidos para os pacientes inscritos na fila.
Segundo o Ministério da Saúde, os bancos de tecidos oculares fazem o processamento e armazenamento das córneas destinadas aos transplantes.
Quem pode doar córneas após a morte?
O Ministério da Saúde informa que podem ser considerados doadores de tecidos oculares pessoas de 2 a 80 anos. A avaliação também verifica possíveis contraindicações relacionadas às condições de saúde.
O uso de óculos ou lentes de contato não impede a doação. Miopia, hipermetropia e astigmatismo também não são impedimentos automáticos.
A equipe responsável avalia cada caso. Por isso, a possibilidade de aproveitamento da córnea depende dos critérios técnicos aplicados após o óbito.
Família precisa autorizar a doação
No Brasil, a família precisa autorizar a retirada de órgãos e tecidos depois da morte. A manifestação da vontade em vida não substitui essa autorização.
Por isso, o Ministério da Saúde orienta que a pessoa converse com seus familiares sobre o desejo de ser doadora. A conversa permite que os parentes conheçam essa decisão antes de uma eventual abordagem.
A bióloga Sarah Lee Vaughan, especialista em captação, doação e transplante de órgãos e tecidos do BOS, atua no Hospital Municipal.
“A doação de córneas envolve critérios específicos e uma avaliação cuidadosa de cada caso. Por isso, é importante que a população saiba como esse processo funciona e entenda que a família tem um papel fundamental. Conversar sobre o desejo de ser doador ainda em vida facilita muito a tomada de decisão quando esse momento chega. É uma forma de deixar clara uma vontade que pode beneficiar outra pessoa”, explica.
Doação mantém aparência do doador
A retirada das córneas segue protocolos específicos e é realizada por equipe capacitada. O procedimento também prevê cuidados para preservar a aparência do doador.
Sarah explica que essa é uma dúvida frequente entre familiares.
“Um aspecto que costuma gerar dúvidas entre os familiares é a aparência do doador. A doação não interfere na aparência, e o procedimento é relativamente simples e rápido. Também não provoca atraso na liberação do corpo ou no tempo de velório. A doação é um gesto de solidariedade que pode transformar vidas”, destaca.
A Central de Transplantes organiza a distribuição dos tecidos conforme as regras do Sistema Nacional de Transplantes. A lista segue critérios técnicos definidos pelo sistema.
Setembro Verde também envolve outros tecidos
O Hospital Municipal também mantém a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT). A estrutura auxilia na identificação de potenciais doadores e na condução dos procedimentos.
A comissão atua em conjunto com as equipes assistenciais e com a Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Unicamp. O trabalho inclui protocolos para avaliação e encaminhamento dos possíveis doadores.
O diretor médico do hospital, Fernando Bertola, destaca a atuação integrada das equipes.
“O processo de doação de órgãos e tecidos envolve diferentes etapas, critérios e equipes, e o hospital tem um papel importante na identificação e no encaminhamento dos potenciais doadores. No Hospital Municipal, contamos com a CIHDOTT, além de protocolos definidos e parcerias que permitem que esses casos sejam conduzidos de forma adequada e dentro dos fluxos estabelecidos.”
O Setembro Verde reforça, assim, a necessidade de conhecer as regras da doação e comunicar a decisão aos familiares. A orientação também vale para quem deseja ser considerado doador de córneas após a morte.




