Com o objetivo de combater o racismo no esporte, Campinas lançou a campanha “Abrace essa causa”, que faz parte do “Programa Antirracista pela Cor do Esporte”. O evento foi realizado na segunda-feira (17) pela Prefeitura de Campinas e pela PUC-Campinas, com a participação de importantes parceiros, como Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Guarani e Ponte Preta.
Para o prefeito de Campinas, Dário Saadi, a campanha visa atravessar fronteiras e contar com a colaboração de toda a sociedade.
“Combater o racismo é obrigação e dever de todos. Essa campanha não é da Prefeitura, mas de toda a sociedade. Ela é fundamental para combater esse mal que é o racismo”.
A campanha
Um dos destaques da campanha “Abrace essa Causa”, por parte dos clubes, é a garantia de que pelo menos 30% das crianças que entram com os jogadores (os mascotinhos) sejam negras.
“A iniciativa também traz uma cartilha sobre crimes de racismo e injúria racial. Ela vem ao encontro da luta do Centro de Estudos, que é o conhecimento, mas também o respeito dos negros e das negras que estão aqui nesse Brasil lutando, tentando ter acesso não só ao esporte, mas também à universidade, ao conhecimento”, explicou a comendadora Edna Lourenço, coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-brasileiros da PUC-Campinas.

E-mail para denúncias
Outro anúncio importante foi o da criação de um e-mail do Ministério Público, o [email protected], para denúncias de racismo. Representando o órgão, a promotora Cristiane Hilal falou sobre a importância da campanha para a cidade.
“Falar sobre racismo, e não só esse racismo do xingamento, da ofensa, mas também o racismo estrutural, o racismo institucional, é algo muito importante para nós”, disse. “Claro que já há canais de denúncia normais, que as pessoas podem falar sobre situações de racismo, mas esse e-mail visa facilitar e acelerar o acesso das pessoas ao serviço que o Ministério Público presta”.
Rivalidade de lado
Rivais dento de campo, Ponte Preta e Guarani também aderiram à Campanha. “Infelizmente, em pleno século 21, nós temos que levantar essa causa. Mas nós estamos dispostos a continuar combatendo o racismo, porque é um absurdo termos diferenças em função de cor de pele”, afirmou o presidente do Bugre, Rômulo Amaro.
Jerônimo Tognolo Neto, representando a Macaca, disse ser uma grande honra participar da campanha. “Já temos feito um trabalho contra o racismo, inclusive com a nossa diretoria de inclusão social, além disso, nosso time principal hoje tem em torno de 40% dos jogadores negros”.

Juntos pela causa
Além do futebol, representes de outros esportes do município participaram do evento. Maurício Lima, ex-jogador e embaixador do Vôlei Renata destacou a importância da campanha contra o racismo.
“É uma honra muito grande para o Vôlei Renata participar desta ação. É inadmissível que no século 21 ainda tenha racismo no esporte. Temos, junto com a sociedade, o dever de combater ações racistas”.
Atletas que já abraçaram a causa:
Aretha Duarte, montanhista que escalou o Evereste;
Renato, ex-jogador de futebol;
Monga, ex-jogador de futebol;
Maurício Lima, bicampeão olímpico de vôlei;
Aranha, ex-goleiro e ativista antirracista;
André Heller, campeão olímpico de vôlei em Atenas;
Vanderlei Cordeiro de Lima, maratonista medalhista olímpico em Atenas;
Marcelinho Machado, ex-jogador de basquete;
Bruninho, campeão olímpico e jogador do Vôlei Renata;
Vitor Benite, campeão pan-americano de basquete;
Vinícius Furlan, árbitro de futebol;
João Paulo, ex-atacante da Seleção Brasileira;
Karla Cristina Martins Costa, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Basquete;
Elano Blumer, ex-jogador da Seleção Brasileira de Futebol;
Elzo Coelho, ex-jogador da Seleção Brasileira;
Gléguer, ex-goleiro.
