Há exatamente um ano, a jovem Brenda Bulhões, de 26 anos, saiu de casa para trabalhar e não voltou. Foi executada com ao menos seis tiros em frente ao próprio salão de beleza, no litoral de São Paulo. A morte da empresária deixou uma ferida aberta que “sangra todos os dias”, afirma a mãe de Brenda, Elisângela da Silva.
Foi na manhã de 29 de novembro de 2024, no momento em que chegava para abrir seu salão de beleza, localizado na Rua Pará, no distrito Vicente de Carvalho, em Guarujá, na Baixada Santista, que a cabeleireira foi morta.
Minutos depois de estacionar sua moto em frente ao salão, ela foi surpreendida por um homem armado e executada com ao menos seis disparos, que atingiram a região de seu dorso. Agentes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram a socorrer a Brenda, mas ela não resistiu aos ferimentos e foi dada como morta ainda no local.
Quem matou Brenda Bulhões?
A morte da empresária gerou revolta em toda a região e impulsionou o movimento “Justiça por Brenda”, organizado pela mãe da Elisângela da Silva. O objetivo: localizar Bruno dos Santos Campos, ex-companheiro da Brenda, apontado como principal suspeito do feminicídio.
Os dois haviam terminado seu relacionamento dias antes da morte da Brenda, uma relação marcada por um comportamento agressivo, possessivo e controlador da parte do Bruno, segundo a família.
Essas informações contribuíram para Bruno ser apontado como principal suspeito da investigação e justificaram o pedido de prisão preventiva, emitido pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Guarujá em 2 de dezembro.
O ex-namorado ficou foragido por 47 dias. Neste meio tempo, o movimento liderado pela mãe de Brenda ganhou cada vez mais força e popularidade, reunindo seguidores na internet e manifestantes nas ruas. A repercussão do caso chegou até uma testemunha anônima que, via o Disk Denúncia 181, informou saber a localização do suspeito.
Bruno foi encontrado e preso na cidade de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul (MS), próximo à divisa com o Paraguai. Ele foi transferido para São Paulo via transporte aéreo e chegou ao Guarujá no dia 27 de janeiro deste ano, quase dois meses após o assassinato de Brenda.

Trauma
A jovem foi executada aos 26 anos, dias antes de seu aniversário. Deixou muitos amigos, parentes e uma filha que, na época, tinha apenas 9 anos. A morte da empresária, segundo sua mãe, é uma ferida aberta que “sangra todos os dias” o coração da família.
Desde o ocorrido, a pequena Mayte, filha de Brenda, que hoje tem 10 anos, realiza acompanhamento psicológico junto da família para assimilar a perda. “[Sobre a morte da Brenda] falamos com a ajuda de um psicólogo, mas ela sabe que a mãe foi assassinada”.
Julgamento
Solicitadas informações ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o órgão informou a VTV News que o processo tramita sob segredo de justiça, “portanto o acesso aos autos é restrito”. No entanto, representantes da família de Brenda e da defesa do Bruno confirmaram que, neste dia 9 de dezembro, o caso dará encaminhamento com um julgamento para instruir todas as partes sobre as futuras etapas do processo.
Procurada pela reportagem, a defesa de Bruno dos Santos informou que “mantém excelentes expectativas para a audiência já designada” e que “Bruno reitera sua negativa de participação nos fatos investigados e confia plenamente na Justiça para comprovar sua inocência, por meio da análise técnica e imparcial das provas”.
Para denunciar casos de violência contra a mulher:
- Disque 190 (Polícia Militar)
- Disque 180 (Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher)
- Disque 181 (Disk Denúncia)
- Delegacias de Defesa da Mulher (veja os endereços)
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil (acesse aqui)
- Atendimento presencial em delegacias de polícia e salas DDM Online (veja lista de endereços aqui)